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Mostrando postagens de maio, 2025

Poetizem-cis

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Limbo Tina Krause “Toda elocução naturalmente deixa o direito de exposição posterior ao elocutor; e, portanto, na medida em que um signo é indeterminado, ele é vago, a menos que, ou expressamente, ou por meio de uma convenção bem entendida, seja tornado geral.” - Peirce O problema da poesia e do senso-comum esta na sua relação com a vagueza, a princípio dicotômica à nossa percepção, mas que fica para trás apenas com o passar do tempo, da duração e da pequena memória que vamos construindo até o limiar do presente. É um filme feminista acima de tudo e do próprio conceito poético que paira a obra. Primeiro porque o próprio feminismo surge num meio liberal, da busca por igualdade em certo contexto material, e não uma mera ferramenta para controle de massas, diferentemente quando ele reacende na democracia liberal, principalmente pós fim do padrão-ouro e guerra do Vietnã. Mas também o transcendentalismo que puxa e exorciza a matéria fílmica é adjunto a toda uma cultura do VHS.  O questi...

Paradoxo prima.

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Network Sidney Lumet A rejeição deste filme por parte de cinéfilos mais formalistas, vamos dizer assim, com argumento de que o filme é anódino em sua critica, pois se coloca de maneira iluminista, tal qual seu algoz, aquilo que ataca, dialética oras. Mas é na sua construção paradoxal que justamente ele se entrega a esse propósito de ao mesmo tempo ser contra, também endossar. Isso se reflete no personagem principal, que não é o produtor daquele canal, que tem toda uma trama melodramática em paralelo, muito menos o apresentador que "enlouquece", ou "se "ilumina", mas a negra comunista, a qual faz a ponte entre esse mundo superficial que se conserva na figura da jovem produtora, e o submundo progressista, que no final se mostrará também conservador. Num viés contrário a vontade de poder maul traduzida, que culminará num positivismo imperial da Rússia contemporânea, aos moldes do império romano, no sentido de influenciar outras culturas, temos o pessimismo, que de...

Revolução conservadora

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The Sweet East Sean Price Williams "Não foi só Lewis Carroll, foi todo o pensamento inglês que mostrou que a teoria das relações era a peça-chave da lógica, e podia ser ao mesmo tempo a mais profunda e a mais divertida." - Deleuze.  Dependendo do ponto de vista, e os considerando que conseguiremos entender a diferença entre os termos conservador e progressista, como Wittgenstein já havia capitulado; revolução conservadora promulgada pelo filosofo russo contemporâneo Alexadr Dugin, nos remete a um paradoxo histórico: afinal como uma revolução pode ser conservadora? Sean Price Williams nos ajuda a entender com seu filme de estreia, ao colocar o progressismo como um empirismo estritamente realista e não materialista, pois é o EUA contemporâneo que ele esta filmando. Mesmo que retomemos a máxima já comunitária de que todo o filme é antes de tudo um documentário e depois de nada, de sua concepção, uma ficção, já que um recorte da realidade a qual por limitações técnicas não a docu...

Temporalidades

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Po di sangui Flora Gomes "Com o surgimento das formas mercantis, o logos deixa de ser parte da physis e exige técnicas de interpretação para a descoberta de significados profundos." - Souza. É um filme místico antes de tudo, e místico digo num sentido passivo, onde a ação não se põem como motivadora da narrativa. Mesmo que o cinema como arte seja essencialmente ação esse filme se coloca como resistência a essa origem, para constituir um tempo próprio, onde toda a possibilidade de ação seja inibida por uma grande elipse migratória. O que permanece nesse movimento que é rechaçado pelo diretor, é o próprio patriarca, que fundamenta toda a forma aqui, o que tem real poder para defender aquela tribo, e a personagem do mudo, que não tem como contar essa história de forma mais direta. É nesse contorno que o filme trabalha, contar a narrativa num sentido indireto. A sensibilidade ao feminismos e não ao masculinismo construído pela historicidade contemporânea culminada no webcomunismo...

Princípio da cópia

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Meiyazhagan C. Prem Kumar O extracampo que da origem a toda ação aqui se porta como preâmbulo desta atividade que mais adiante, conforme o filme avança em sua duração, passa a um campo-memória extra que acua o protagonista de certa forma e se mostra tão compassivo que adentra em todas as camadas do plano, e fazendo com que o filme vá mais para o gênero de uma comédia de costumes do que um melodrama. E comédia de costumes pelo choque de realidades sociais diferentes dentro de uma mesma nação, e de todo o movimento migrante e urbanizador que ocorre na índia, deslocando não somente a matéria-corpo, mas retirando todo o simbolismo espiritual que esse receptáculo e espaços possuem. Portanto toda humanidade que essas personagens carregam é na verdade uma difusão e ao mesmo tempo um embate, entre o que permanece e o que se esvai. Sendo a casa, a metafisica, um termo pejorativo para se direcionar a esses seres que estão mais interessados em construir uma ponte entre isso que aparta as relações...

Sentido da superfície

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Deep Rising Stephen Sommers Começa com letreiros nos informando do espaço, do horror, ao qual iremos percorrer, para o corte de um primeiro plano deslizando pelo fundo do mar, a qual deduzimos pelas informações anteriores ser da criatura que assombra esse lugar onde navios se perdem; para outro corte, onde ligado pela trilha sonora já somos lançados a outro espaço, e que agora conseguimos traçar um tempo, em que iremos ser transportados a um micro-espaço democrático, onde inúmeras forças estão em jogo. a construção de cada personagem é grandiosa nos detalhes, onde a caricatura se faz tão presente que acessamos a inteireza de cada ser, afinal temos agora um tempo ao qual nos apoiamos, diferente da informação que abre o filme, e a estética de curta metragem experimental entre esses dois espaços. À parte da técnica, o filme logo se põem em marcha dessa disputa de desejos, um grupo que esta atrás de dinheiro, enquanto os donos daquela embarcação foram persuadidos a isso, todo esse primeiro...

Preâmbulo digital

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They Eat Scum Nick Zedd O punk é um movimento esmagado entre o movimento hippie e a disco, uma síntese desses dois extremos, enquanto os hippies de maneira generalizada buscavam essa fuga do sistema, a disco era mais uma aceitação. Portanto como síntese ele pertence a um lugar inexistente, místico, passível de ser capturado por qualquer uma das forças que o criou, ou outras que se assemelham, pela falta de materialidade que possui. E como puro espirito possui também essa condutividade, que carrega consigo uma amalgama que supera sua própria formação. Oras, se a transgressão hippie é a universalidade punk, a conservação reformista/progressista da disco, é o que ele simula como matéria. Assim a produção de realidade do punk sempre penderá para o lado mais forte, ela nunca é completamente sua, mas terceirizada, um socialismo utópico, como classificado pelos científicos, de misérias. E se é o totem da depravação é porque foi permitido a isso, esse escapismo que o torna universal é sua fraq...

Cáustico lunar.

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Free Radicals e Tire Die  Len Lye e Fernando Birri “o mundo obscuro das atividades materiais e dos fatos cotidianos é suscetível da mesma racionalidade que os agenciamentos da ação trágica” - Ranciere. Usemos esses dois filmes como argumento para defesa da pirataria. mesmo que ela através de sujeitos-homens não esteja afim da singela divulgação de obras inacessíveis, mas sim pela promoção de canais no youtube por exemplo, que além de disponibilizarem filmes em péssima qualidade de exibição, monetizam-no. Agora, se o dois filmes falam sobre o contraste, e como ele pode ser pedagogicamente irreconciliável, os opostos como essencialmente independentes, possuindo suas lógicas próprias, que ao mesmo tempo simulam uma dependência, como o liberalismo que manipula sua própria popularidade. Em "Free Radicals" esse contraste esta mais no princípio cinematográfico da luz, e da herança do cinema com o nitrato de prata advindo da fotografia, Len Lye oporá essa historicidade do ser-cinema,...

Progresso inevitável.

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Nausicaa Hayao Miyazaki Pensei que seria mais um discurso ecofascista de Miazaki, a começar pela abertura com patrocínio da ONG WWF, e pelas falas subjetivas da personagem. Falas que ecoarão no restante do filme, e que servem como individuação dela, mas que pelo menos o diretor não enfatiza somente esse discurso ao qual ficará famoso por reacionário junto ao estudo que criará depois dessa obra, mesmo que seus seguidores ignorem, pois constrói muito bem o cenário e o espaço aos quais esses personagens transitarão. É fácil um entendimento materialista aqui, partindo dessa premissa, da subjetividade que é construída por esse entorno material, mas que é na verdade um argumento que reforça a inexistência da própria materialidade. Mesmo que os ventos sejam importante para aquela sociedade que move a narrativa, e toda a geografia daquele vale, e das regiões próximas afetadas pelo ar venenoso, a materialidade se da sempre como premissa, e até algo amorfo que vem antes do próprio axioma, como u...

Noiva do átomo.

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Bride of the Monster Ed Wood O entendimento de Ed Wood sobre o extracampo é sublime, a começar pelo entendimento a que classe de artista pertence, aos filmes de baixo orçamento, em movimento paralelo dos filmes de grande estúdio. A economia dos planos em conjunto com o pouco espaço para construir a encenação, e o mimetismo entre os simbolismos, do monstro real, que assombra o filme por inteiro, ao monstro que aos poucos vai se mostrando como liderança das ações. O close é o que o cinema resguarda de maior herança do teatro por antítese, e conjunto a essa economia dos filmes B, é essa herança que mais se sobressai, o cenário passa a ser assim um lugar a ser diluído pela sublimação dessa câmera que passa a se desinteressar por pela herança transmutando-a em memória, agora fundamento para a construção dessas ações. O close fechado nos olhos de Lugosi remetem a isso, dos gestos místicos da protogramática, ao fechamento das cortinas que o cinema promove em relação ao palco do teatro, para c...

Paralogismo.

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Born in Flames Lizzie Borden "Os estoicos mostravam que as próprias coisas eram portadoras de acontecimentos ideais que não se confundiam exatamente com suas propriedades, suas ações e reações: o cortante de uma faca..." - Deleuze em "Cinema: imagem-movimento" Todo revanchismo se faz sobre ressentimento? E toda essa construção sempre cai em pedagogias didáticas? A própria brincadeira formalista, de falso documentário, indica a potência teórica que jaz aqui, como as cenas de assédio que culminam nesse afeto ambíguo e taoísta sobre o capital. Não a toa o orientalismo ter sido engolido pelo ocidentalismo, a pujança racional sobre a flacidez intuitiva. O fracasso do feminismo como vertente demasiada virtuosa do materialismo.

A contradição nietzschiana.

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Superman II Richard Lester É estranho assistir esse tipo de filme hoje em dia, as relações propostas aqui são inconcebíveis no cinema de agora. E Richard Lester deixa isso ainda mais evidente ao centrar o filme no casal, construindo mais um melodrama do que uma aventura em si mesma como o primeiro filme reforça com suas estripulias. Interesse mais nas questões humanas do superhomem, do que suas alienígenas, e os vilões vem para deixar isso ainda mais em contraste. As cenas de ação serão assim resolvidas de forma rápida, sem uma construção maior de tensão, mas mais uma vez servindo a resolução do drama principal, da humanização do superhomem.