Poetizem-cis
Limbo
Tina Krause
“Toda elocução naturalmente deixa o direito de exposição posterior ao elocutor; e, portanto, na medida em que um signo é indeterminado, ele é vago, a menos que, ou expressamente, ou por meio de uma convenção bem entendida, seja tornado geral.” - Peirce
O problema da poesia e do senso-comum esta na sua relação com a vagueza, a princípio dicotômica à nossa percepção, mas que fica para trás apenas com o passar do tempo, da duração e da pequena memória que vamos construindo até o limiar do presente. É um filme feminista acima de tudo e do próprio conceito poético que paira a obra. Primeiro porque o próprio feminismo surge num meio liberal, da busca por igualdade em certo contexto material, e não uma mera ferramenta para controle de massas, diferentemente quando ele reacende na democracia liberal, principalmente pós fim do padrão-ouro e guerra do Vietnã. Mas também o transcendentalismo que puxa e exorciza a matéria fílmica é adjunto a toda uma cultura do VHS.
O questionamento que fica com isso e a pequena memória deixada pelo filme, é como usar as ferramentas de forma que elas não criem necessidades e consciências próprias, e produzam outras formas de contingências. A poesia seria a resposta disso, se não fosse ela mesma o problema, voltaríamos assim a própria consciência, a ferramenta como motivadora desse movimento que culminará na poesia. Já, a mulher como essa própria ferramenta, é vista na grande indústria do cinema como o meio em si, gerando um retorno dessa questão promíscua, apesar de sintaticamente em outra ordem, mas que na vontade dos filmes B se torna potência que da motivo ao processo de duração e pequena memória, a consciência que se toma e consolida essa poesia que paira o filme em questão.
E enquanto se propõe como poesia o filme cai nesse armadilha de eterno retorno, e esse retorno é sempre do mesmo, como Deleuze irá tentar desvencilhar, não com tanto sucesso, mas que recai bem aos filmes subproduzidos, a qualquer forma de anti-fenomenologia, desguardadas todas as proporções contraditórias que isso, a poesia, possa trazer. Mesmo que no filme analisado anteriormente tenho trago essa discussão do paradoxo como principio filosófico e a infertilidade critica com o tema que o filme abordava, ela se construía na forma mais clássica, no tempo que aqui, como bem dito das suas raízes, a vontade por qualquer lastro fica em segundo plano, fortalecendo a primazia da ferramenta e da técnica pelo conteúdo, colocando o filme numa gama diferente de paradoxo, pois como anti-forma já surge como tal, até se resguardando de uma analise mais profunda de tanta simulação e emulação que o granulado do SOV faz das emulsões de prata.
Referências
PEIRCE E WITTGENSTEIN SOBRE O SENSO-COMUM - Cassiano Terra
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