Emoções sexuais de um jegue, 1986.
Sady Baby
"Minha filosofia olha para além do estado ideal, para além do comunismo e do amor livre, e ensina, depois de uma humanidade livre e sem sofrimento, a morte da humanidade. No estado ideal, isto é, na forma do comunismo e do amor livre, a humanidade mostrará sua “face hipocrática”: ela está votada ao declínio e não somente ela, mas todo o vale de lágrimas." - Mainlander.
"Para entendermos a diferença entre as Literaturas de Paradoxo e de Contradição, faz-se necessário distinguir os conceitos de Paradoxo e de Contradição no âmbito circunscrito aos limites da Filosofia. Tais conceitos remetem às relações lógico-temporais, ou melhor, à Lógica cujo pressuposto encontra-se originariamente no Tempo. Isso significa que, antes de constituírem-se enquanto relações lógicas, o Paradoxo e a Contradição constituem-se como relações temporais. Embora o senso-comum tenha a tendência de confundir as referidas noções, um estudo acerca da questão do Tempo pode mostrar sua diferença estrutural, bem como suas respectivas implicações no próprio âmbito circunscrito aos limites da Literatura." - Modenesi.
O disruptivo que nos aparta das relações, das cenas em bloco novelescas, a uma maior oportunidade de alcance com o público. O jornalismo se monta na contradição, entre a divulgação estritamente cientifica dos fatos, e exclusão da verdade. Estamos assim diante de uma simulação de eventos que pode ser condizente com a realidade, o que quero dizer, é que Sady Baby sabe muito bem os caminhos a qual está percorrendo, o do herói onisciente e onipotente preste a deixar um legado ao mundo, da propagação da doença, ou como bom pessimista positivado, péssimo no âmago e artista em superfície, nos ensinará a arte da guerra, da sobrevivência em meio as aberturas ao neoliberalismo, dos falsos coquetéis, e da medicina se revelando como pura técnica. O simbolismo aqui entra num estado de êxtase também e se assemelha ao signo de tão superficial que se torna, a crítica social ta ali, mas a trama é tão escabrosa que dificilmente conseguimos ligar os pontos, é um filme bem abstrato nesse sentido, portanto mais filosófico do que aparenta. Quando a superfície é levada a esse estado mais ulterior e ao descolamento de seu substrato, moldando esse novo corpo como uma imagem tão perfeita que pode ser carregada em outras direções, pois apesar de semelhante, é leve e oca. A caosfera chamaremos esse novo astro que orbita sua genitora. Afinal é uma pornochanchada, mas não é tão erótico e próximo à gênese dela, mas também não é um puro pornô, há algo de ensaístico ali por mais difícil de se acompanhar que seja. É o que se entende comumente por arte, como a mercadoria que se rebela da terra a qual é gerida e tem a capacidade de criar toda uma cultura por baixo de si. E tudo o que não é entendido desse modo é levado a um estatuto estranho de culto, e de um ritualismo em absurdo. O poder do neoliberalismo e o fim da esperança comunista a qual se assemelhou a burocracia exercendo essa disrupção onde agora a economia se torna um jogo de feudos, de vingança e retorno a idade das trevas preguiçosamente interpretada pelos magistas do século vindouro em seu duplo sentido de descendência vingativa e acoplada a história (o pai sendo caçado), e do porvir futurista e cyberpunk, por mais, e a aparência de novo, o filme ser bastante bucólico em seus espaços. O futurismo vem então como forma presa a matéria, esse descolamento alcançado pela mercadoria, mas que feudalística, se enxerga ainda mercantil, da guerra fria promovendo disputas por mercado devido ao impedimento do confronto direto dado pelos direitos humanos. A genialidade de Sady esta nisso, não confronta diretamente o pessimismo, e reafirma o positivo ao buscar uma vingança formalista através de sua parceira sodomizada, na transa no caixão selando sua eternidade. A desconexão narrativa nos revela o vendilhão que o artista acaba se transformando nesse meio anárquico sem a reeducação espiritual em retorno a terra, Sady quer que pensemos não somente nesse sentido disruptivo, mas no próprio sentido que a descontinuidade toma; é tudo relativo de qual ponto vista? Por que nos vendemos tão fácil? Da disputa pelo osso com um filhote de cachorro numa abertura bem onírica, para meia hora de suruba, quase gratuita, almejada pela gnose de um burro, nada mais homogêneo do que esse encontro entre a imagem e a pôs produção sempre terceirizada do cinema. Mutilemo-nos.
Referencias
O pessimismo e a questão social em Philipp Mainländer. Flamarion Ramos.
Literatura de paradoxo e literatura de contradição. Jean Calmon Modenesi.

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