Temporalidades



Po di sangui

Flora Gomes

"Com o surgimento das formas mercantis, o logos deixa de ser parte da physis e exige técnicas de interpretação para a descoberta de significados profundos." - Souza.

É um filme místico antes de tudo, e místico digo num sentido passivo, onde a ação não se põem como motivadora da narrativa. Mesmo que o cinema como arte seja essencialmente ação esse filme se coloca como resistência a essa origem, para constituir um tempo próprio, onde toda a possibilidade de ação seja inibida por uma grande elipse migratória. O que permanece nesse movimento que é rechaçado pelo diretor, é o próprio patriarca, que fundamenta toda a forma aqui, o que tem real poder para defender aquela tribo, e a personagem do mudo, que não tem como contar essa história de forma mais direta. É nesse contorno que o filme trabalha, contar a narrativa num sentido indireto.

A sensibilidade ao feminismos e não ao masculinismo construído pela historicidade contemporânea culminada no webcomunismo, demostram esta insensatez contornável e mística que eles também possuem, por não abrangerem todo o sentido filosófico de Marx, tratado somente como economista, historiador ou cientista social, e nunca como filósofo em si. Assim a morte do patriarca no final se faz de legado e passagem a outro que ocupe seu lugar para que a ecologia possa ser reimaginada

Enquanto esse movimento migratório se da em troca com outra tribo filha do sol, também da imanência, numa alusão quase que comercial de uma África já civilizada e consolidada, dois povos que mutuamente se ajudam, diferentemente do forasteiro engravatado, estudioso das árvores, ao qual precisa recusar essa água. É cena que carrega o rito de passagem desse, que agora é uma nova tribo que não nega o sentido da liderança, da representação classificadora do realismo i-material.

Por isso toda encenação até esse ato final, messianicamente invertido, ser na verdade a preparação para troca de liderança, de uma vontade que supõem, na verdade pela ação, e pela destituição do tempo, como toda imanência almeja, quando tautegoria diretamente material, irreal, fazendo com que outra cultura, que se assemelha e troca sem uma moeda e terceira via, seja esse primeiro ponta pé que põem aquela lógica em movimento, do tempo que aparta dessa materialidade em vicissitudes, constituindo agora outros tipos de relações.

Referências

Platão e as temporalidades: a questão metodológica.

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