Cáustico lunar.




Free Radicals e Tire Die 

Len Lye e Fernando Birri

“o mundo obscuro das atividades materiais e dos fatos cotidianos é suscetível da mesma racionalidade que os agenciamentos da ação trágica” - Ranciere.

Usemos esses dois filmes como argumento para defesa da pirataria. mesmo que ela através de sujeitos-homens não esteja afim da singela divulgação de obras inacessíveis, mas sim pela promoção de canais no youtube por exemplo, que além de disponibilizarem filmes em péssima qualidade de exibição, monetizam-no.

Agora, se o dois filmes falam sobre o contraste, e como ele pode ser pedagogicamente irreconciliável, os opostos como essencialmente independentes, possuindo suas lógicas próprias, que ao mesmo tempo simulam uma dependência, como o liberalismo que manipula sua própria popularidade. Em "Free Radicals" esse contraste esta mais no princípio cinematográfico da luz, e da herança do cinema com o nitrato de prata advindo da fotografia, Len Lye oporá essa historicidade do ser-cinema, com a música, que consolidará a hegemonia dessa arte como conhecemos hoje, como arma imperialista e colonizadora de desejos. Esses radicais livres do título sugerem, ao mesmo tempo o movimento tribal e universal contidos pela imanência da matéria, e da linguagem cinematográfica como a raiz do liberalismo em seu sentido místico a priori e não econômico a posteriori. Já no curta de Fernando Birri, a diferença, que como vimos no exemplo anterior, é na verdade uma dividuação, ou seja, uma divisão que ilude-nos com a diferença; esta primeiro no contraste entre a urbanização, e as periferias geradas por ela, como em todo processo civilizatório de gentrificação, onde o conservadorismo é na verdade uma dissimulação recalcada do tal progresso. Da lógica entre riqueza contra a pobreza, mas também que é nessa segunda a protagonista da estrutura a qual as obras estéticas são construídas.

O P&B seria outra semelhança entre esses processos que marginalizam a linguagem atrelada a seleção natural nos leva a criar afecções sobre esses seres aos quais o cinema tem a capacidade de ontologizar, de transformar em objetos de tão pura ficção, em dados científicos para desenvolvimento de espírito. Como a pirataria que nos carrega a esse lugar da marginalidade proporcionada pela imensa produção da revoluções tecnológicas constantes, forjando colateralidades de submercados sustentáveis, desse capitalismo que não é nada tardio, mas em pleno vapor de sua aurora (o outro bilhão que o mercado chinês ainda tem para si, de exemplo) assim como a diferença se mostra na verdade, através dessa ciência da imagem como a documentação de um processo ficcional, um projeto de luzes aos sons tribais, e o cortar de um trem por um espaço periférico e marginalizado pode nos trazer a herança dessa gramática ao qual o cinema naturalizou, como a encenação da desgraça de um novo tipo de ser, cada vez mais médium, entre planos, de obras supostamente díspares em suas formas, mas que estão exatamente num mesmo espaço-tempo.

Referência

O CONCEITO DE “CENA” NA OBRA DE JACQUES RANCIÈRE: A PRÁTICA DO “MÉTODO DA IGUALDADE” - André F. Voigt

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