Revolução conservadora
The Sweet East
Sean Price Williams
"Não foi só Lewis Carroll, foi todo o pensamento inglês que mostrou que a teoria das relações era a peça-chave da lógica, e podia ser ao mesmo tempo a mais profunda e a mais divertida." - Deleuze.
Dependendo do ponto de vista, e os considerando que conseguiremos entender a diferença entre os termos conservador e progressista, como Wittgenstein já havia capitulado; revolução conservadora promulgada pelo filosofo russo contemporâneo Alexadr Dugin, nos remete a um paradoxo histórico: afinal como uma revolução pode ser conservadora?
Sean Price Williams nos ajuda a entender com seu filme de estreia, ao colocar o progressismo como um empirismo estritamente realista e não materialista, pois é o EUA contemporâneo que ele esta filmando. Mesmo que retomemos a máxima já comunitária de que todo o filme é antes de tudo um documentário e depois de nada, de sua concepção, uma ficção, já que um recorte da realidade a qual por limitações técnicas não a documentou por inteira, perceberemos essa diferença entre o real e o material.
Retomando esse paradoxo do parágrafo primeiro, não é que a revolução não possa ser conservadora como Dugin propõe em sentidos tradicionalistas, mas como as ditaduras proliferantes do século XX se mostraram esse tipo de movimento, ao mesmo tempo que rompiam com certo tipo de ordem, que naquele momento se portavam como progresso, rompiam e mantinham-no de forma ainda mais ferrenha essa mesma ordem, agora com um viés diferenciado, um extremismo anti-radical. É como os dois lados de uma mesma moeda, ou como o problema da imanência que tenho falado com veemência: a temporalidade criada pelo magnetismo da matéria, se da cronicamente, instaurando um micropoder, que reproduz e/ou reflete um tempo mais substancial, ou seja, criando uma realidade que holograficamente, como pura imagem e representação constitui uma realidade i-material.
É disso que o filme esta a nos dizer, mesmo que comunitariamente se assemelhe a algo corriqueiro na cultura, como é de fácil percepção a referência a Lewis Carroll, mas que na verdade é uma repetição que acontece por necessidade, e não uma contingência, digo, é um reflexo, ou melhor, uma reprodução naturalista, como a personagem que caminha fluidamente entre os espaços, por eles estarem em simbiose temporal. Todas aqueles espaços a qual a personagem perpassa, esta gestando e concebendo essa representação consciente e péssima da matéria, aos quais estão inseridas, e mesmo que pós estruturalistas joguem o devir ao Todo, e o deem frescores universalistas, nos mostra o quão sintomático esse problema criado por eles próprios tem se transformado, busca por identidade de devires que passam a simular o tempo aiônico, depois de conceberem a realidade i-material. E quando isso acontece o caminho de volta, para que o que escapou retorne a esse espaço de onde foi expelido, é sempre escatologicamente otimista, como segurar o riso diante do monge, exterminando o ponto de vista.
Referência
Cinema 1 - Imagem-movimento

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