Progresso inevitável.


Nausicaa

Hayao Miyazaki

Pensei que seria mais um discurso ecofascista de Miazaki, a começar pela abertura com patrocínio da ONG WWF, e pelas falas subjetivas da personagem. Falas que ecoarão no restante do filme, e que servem como individuação dela, mas que pelo menos o diretor não enfatiza somente esse discurso ao qual ficará famoso por reacionário junto ao estudo que criará depois dessa obra, mesmo que seus seguidores ignorem, pois constrói muito bem o cenário e o espaço aos quais esses personagens transitarão.

É fácil um entendimento materialista aqui, partindo dessa premissa, da subjetividade que é construída por esse entorno material, mas que é na verdade um argumento que reforça a inexistência da própria materialidade. Mesmo que os ventos sejam importante para aquela sociedade que move a narrativa, e toda a geografia daquele vale, e das regiões próximas afetadas pelo ar venenoso, a materialidade se da sempre como premissa, e até algo amorfo que vem antes do próprio axioma, como uma hylé, a substância que gera as formas.

O embate entre esta tecnologia mais arcaica contra esta mais progressista é o indicio dessa materialidade falha, e que produz moralismo protofascistas. E é sempre nesse prefixo formador das radicalidades, de como essas sociedades diferentes se enfrentam, ou até mesmo se confluem, para que a profecia que a principio é somente vista e ditada pela bruxa anciã dessa sociedade que molda a narrativa se concretize.

É nesse sentido que a materialidade nunca é um fim, como os próprios pensadores dessa linha rejeitam a teleologia, e nem mesmo uma possível existência, como outra linha que também se diz materialista, mas sempre uma pré-existência, muitas vezes anódina, na subjetividade de somente uma pessoa, e que concretiza pela universalidade que se é. A materialidade é assim a idealidade, a simbiose que a imanência carrega, mas não ela mesma, e que por meio da dialética travada entre as políticas daquelas diferentes ciências sociais, se dará como reencarnação, ou melhor, reencenação de expectadores que nunca foram realmente emancipados, como da a entender o dom e a coligação de Nausicaa com a natureza.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Antimimom Pneuma

Hilemorfismo teatral

Relações demasiadamente funcionais.