Preâmbulo digital



They Eat Scum

Nick Zedd

O punk é um movimento esmagado entre o movimento hippie e a disco, uma síntese desses dois extremos, enquanto os hippies de maneira generalizada buscavam essa fuga do sistema, a disco era mais uma aceitação. Portanto como síntese ele pertence a um lugar inexistente, místico, passível de ser capturado por qualquer uma das forças que o criou, ou outras que se assemelham, pela falta de materialidade que possui. E como puro espirito possui também essa condutividade, que carrega consigo uma amalgama que supera sua própria formação. Oras, se a transgressão hippie é a universalidade punk, a conservação reformista/progressista da disco, é o que ele simula como matéria.

Assim a produção de realidade do punk sempre penderá para o lado mais forte, ela nunca é completamente sua, mas terceirizada, um socialismo utópico, como classificado pelos científicos, de misérias. E se é o totem da depravação é porque foi permitido a isso, esse escapismo que o torna universal é sua fraqueza, e fraqueza digo por não possuir uma constituição material, não possuir a princípio uma lógica, mas a poesia, que como teleologia se fará sua lógica.

"A historia me absolverá, eu espero" diz nick zedd numa entrevista no youtube lançada em 2017 ao ser perguntado se tinha se arrependido de ter feitos filmes transgressores. E é revelador, como a coerência da intuição amarra até mesmo paralogismos e tergiversações que a principio parecem ser meramente despolitizadas como o universalismo transcendental que precede a tudo, inclusive a imanência e seus processos afetivos, para sempre desembocar em progressismos mal vistos pela conservação da qual é criada.

Esses afetos produzidos pela imanência, enquanto a análise não a enfrenta, nos confunde com certas produções de sentido, ou como a tradição pós-estruturalista nos remediará, de que a epistemologia é uma ciência datada do romantismo, de que o entendimento sempre é esse segundo plano, cabível a automatização militante. A construção de exércitos, ou mesmo de poderes mais universalistas de sua gênese, a que compactua essa segundidade, é bem vista por esses processos de relações sociais metafisicas; as que dão origem a própria sociedade, o que faz os sujeitos se moverem, diferindo das relações de senso comum, dos encontros diários e rotineiros. Porém é na indiferença e na produção de afetos negativos, na verdade, que moverá esses corpos, o que não consegue produzir uma identidade masculina, logo é tragado pelo entre planos, e os que conseguem positivar a metafisica de alguma maneira, movimenta-se em direção desse poder real enquanto dissimulação econômica.

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