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Realismo como insuficiência geopolítica.

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Undine Christian Petzold  "Essa pode ser uma arte muito perigosa. Grande parte do surrealismo está designado de maneira inadequada, na realidade. Sur, do Francês e do latim, significa acima, e esta arte, por certo, na sua maior parte, não está acima do realismo: é um sub-realismo. Se nós chamamos de realidade o estado desperto comum – e esta é uma definição filosófica aceitável do real, embora, é claro, em ultima instância, o real não seja isso – e se denominamos de realismo uma arte que é uma emulação das formas externas da natureza – como as pinturas de Ingres ou da famosa escola clássica do século dezoito – então nós temos dois mundos: um que está em cima e outro embaixo. Há o que está acima do mundo físico – o mundo espiritual – e um mundo sub-realista, dos subelementos da psique, onde, na verdade, se acumula todo o lodo da lagoa, ou seja, os elementos mais negativos e, quase sempre, mais perigosos da psique humana." - Nasr A cidade para Petzold tem bastante importância n...

Cinema transviado.

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Violet Bas Devos "Pois é na diferença que consiste a poesia do mapa e o encanto do território, a magia do conceito e o encanto do real. Este imaginário da representação, que culmina e ao mesmo tempo se afunda no projeto louco dos cartógrafos, de uma coextensividade ideal do mapa e do território, desaparece na simulação - cuja operação é nuclear e genética e já não especular e discursiva. É toda metafísica que desaparece. Já não existe o espelho do ser e das aparências, do real e do seu conceito. Já não existe coextensividade imaginária: é a miniaturização genética que é a dimensão da simulação. O real é reproduzido a partir de células miniaturizadas, de matizes e de memória, de modelos de comando - e pode ser reproduzido um número indefinido de vezes a partir daí. Já não tem de ser racional, pois já não se compara com nenhuma instância, ideal ou negativa. É apenas operacional. Na verdade, já não é o real, pois já não esta envolto em nenhum imaginário. É um hiper-real, produto de s...

Novo mundo.

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Apocalypto Mel Gibson “De acordo com essa máxima, a tarefa da direita política é mergulhar na complexidade do pensamento de Marx e, ao mesmo tempo, absorver o espírito da crítica radical.Essa aceitação inicial de Marx e de uma mentalidade crítico-radical, “que difere enfática e fundamentalmente daquelas que prevalecem no mundo da inautenticidade e da alienação” - Benoist  "Se Benoist agora acredita ter encontrado em Marx um cúmplice para essa crítica do liberalismo, isso não passa de um desejo. Pois mesmo que Marx tenha criticado duramente a ideologia liberal, ele certamente não o fez da maneira sugerida por Benoist, na qual o liberalismo se torna uma espécie de meta-sujeito que introduziu “uma nova forma de dominação abstrata”. - Trenkle É da burocracia que se tem a capacidade de filmar a imanência, pois é dum aparato hierarquizado em camadas, que com a distância dada do material em observação pode-se chegar a conclusões mais embasadas sobre o objeto observável. Mais iss...

Kantismo contra nietzschianismo.

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A ghost history David Lowery "[h]á aqui, pois, um certo mistério, cujo descobrimento tão-só pode fazer seguro e digno de confiança o progresso no campo ilimitado do conhecimento intelectual puro; a saber, descobrir, com a universalidade apropriada, o fundamento da possibilidade dos juízos sintéticos a priori, penetrar as condições que tornam possível cada espécie, e ordenar todo esse conhecimento (que constitui o seu gênero próprio [eigene Gattung]) num sistema, englobando as suas fontes originais, divisões, extensão e limites, sem se restringir a um esboço rápido, mas determinando-o de maneira completa e suficiente para todos os usos." - Kant A capacidade de extração do que esta por fora do plano é transformada por David Lowery em algo que constrói não somente esse totem que perdura na tela, da imagem que nossa cognição capta como primeira ordem, mas todo o entorno da trama que se passa diante de nós. No entanto isso só é trazido de for...

Savoir-faire.

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"Namai" Sarunas Bartas "Quanto ao discurso, afirma, ele se constitui a partir dos objetos que nos chegam do de fora, isto é, das coisas sensíveis. Pois é do encontro com o sabor que se forma, em nós, o discurso que emitimos sobre esta qualidade, e da incidência da cor, o discurso sobre a cor. Assim sendo, o discurso não é “comemorativo” do de fora, é o de fora que se torna revelador do discurso." - Gorgias Não é que certos filmes são difíceis de analisar enquanto outros são mais fáceis, e que isso esta atrelado diretamente ao sentido da narrativa do objeto em questão, ou seja, quanto mais linear e padronizada no sentido hegemônico e hollywoodiano, mais fácil é entender e acompanhar o roteiro, enquanto essa narrativa mais lenta e truncada aparentemente é mais difícil. E aqui no sentido de análise as coisas se mostram ainda mais complexas, pois não passa de um entendimento qualquer que permeia o assistir da obra, uma interpretação subjetiva e reflexiva p...

O marxismo já é um antimarxismo? A substância e o sincretismo.

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The lighthouse Robert Eggers "ao definirmos um membro de uma outra qualquer categoria devemos incluir a definição da substância subjacente. Com efeito, se pretendemos conhecer algo pertencente a uma categoria diferente da substância, temos de perguntar, não pelas suas qualidades, etc., mas pelo que ela é, pela sua quase-substância, pelo que a constitui tal qual como é." - Ross Estava buscando coragem para ver algo novo desse diretor. Em a Bruxa, filme visto na época do lançamento, já havia percebido sua intenção art-house no sentido de busca de público e captação de almas, mas também não somente em seu estilo artístico. Essa certa preocupação humanista que seus dois primeiros filmes abordam apenas de maneira contextual, abrem espaço para o desenvolvimento do tecido conceitual como é bem desse estilo; filmes que são delineados por um dogma que oprimem a matéria fílmica no intuito de esculpir a obra, fechando em espaços que deterioram o próprio cont...

Tradiçao contra modernidade.

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The gunfighter Henry King "São necessárias, pelo menos, duas séries heterogêneas, das quais uma será determinada como “significante” e a outra como “significada” (...); 2. Cada uma destas séries é constituída por termos que não existem a não ser pelas relações que mantêm uns com os outros. A estas relações, ou antes, aos valores destas relações, correspondem acontecimentos muito particulares, isto é, singularidades designáveis na estrutura (...); 3. As duas séries heterogêneas convergem para um elemento paradoxal, que é como o seu “diferenciante”. Ele é o princípio de emissão das singularidades. Este elemento não pertence a nenhuma série, ou antes, pertence a ambas ao mesmo tempo e não pára de circular através delas." - Deleuze  A imagem como receptáculo do que é ao mesmo tempo dentro e fora, criando uma tensão que corrobora com a força do princípio cinematográfico, a de que é a imagem em movimento que fundamenta e faz a essência dessa arte. Então não é que a imagem ...