Ascese


The sun shines bright

John Ford

"primeiro grau de certeza é, pois, este: o imanente [...]. O transcendente (o não inclusamente imanente) não me é lícito utilizá-lo, por isso, tenho de levar a cabo uma redução fenomenológica, uma exclusão de todas as posições transcendentes. Porquê? Para mim é obscuro como pode o conhecimento atingir o transcendente, o não autodado..." - Husserl

 É de se considerar a teologia como um evento politico antes de tudo, logo se não damos importância a política, consequentemente também somos ateus, e ao contrario, se não damos importância a religião somos despolitizados. A obviedade dos fatos nesse sentido carrega uma vontade de não condizer com essa completude, não deveríamos nem estar compondo esse nome, pois toda teologia já carregaria consigo mesmo a política, tanto quanto ao contrário. Fenômeno  moderno criticado pelos perenialistas, mas que fará com que algo ainda maior se revele, o processo teológico por detrás desse movimento materialista carrega em seu cerne também uma vontade pela religião mesmo em todo seu atomismo. Ford irá entender isso através do ato de julgar, e necessariamente, como ele delimita e constrói traços identitários que ajudam a construir não somente um individuo mas toda uma comunidade. É nesse sentido um retorno as tradições, ao mesmo tempo que uma repaginada nela. de D.W Grift, em seu nascimento de uma nação quanto, o histórico do juízo medievo ao moderno, Aquino e Kant, desembocando assim nessa questão mais superficial da identidade em Nietzsche e Heidegger.

Nietzsche é nessa linha traçada o mais importante kantiano ao conseguir elevar o transcendental e pô-lo em disputa com o transcendente, algo revelado depois no outro alemão tradicionalista e reacionário. Esse movimento deixa assim de ser em direção ao âmago do sujeito kantiano, para se voltar para superfície, da fundação da psicanálise para seu teto. Movimento que é incompreendido pelos detratores materialistas, ao enxergarem nisso somente a superfície, e não perceberem que Nietzsche parte da mesma fundação deles, do Frankstein bismarckiano, culminando no golem sionista em Hitler. Mas o que quero traçar nisso é também o mesmo sentido a qual Ford busca no todo de sua obra, a profundidade de campo em seu sentido horizontal e histórico, e principalmente nas molduras do próprio enquadramento cinematográfico, da metafisica como casa e retorno ao clássico como em Griffth faz na dicotomia dos seus planos e contraplanos. Essa jurisprudência é assim tratada como um sentido único como o apresentado no inicio entre teologia e politica, as inimizades são dessa forma o que molda aquela comunidade, as disputas são assim a natureza da própria identidade, por isso essa necessidade de separar o que é sagrado, a teologia, como fim último da própria filosofia; do profano, a politica como motivo inicial da filosofia.

Há então em Ford essa mesma vontade de demostrar essa dicotomia que ao mesmo tempo clássica e progressista, dos negros libertos sob o totem de Lincoln ao jurista que delimita toda aquela comunidade, tendo no contraplano-epilogo a continuação temporal e somática do casal entre empresario reingresso naquela sociedade e da subida ao professorado protestante e anglo-saxão. O diretor quer com isso evidenciar a nota de que não é somente esse movimento mais supérfluo que se constrói identidade, mas toda uma fundação a qual tanto a filosofia , quanto o cinema são dependentes, o histórico aqui como uma linha temporal, porém nada cronológica, mas jurisnatural como esse movimento à revelia nietzschiano dito anteriormente aqui, contrario ao que ele entendeu na excomunhão de Espinosa, na tentativa então de união do judaísmo com cristianismo, oras consolidado nesse filme, por isso a retomada do entendimento entre teologia e politica ser feito necessário quanto antes nesse primeira metade de seculo XXI.

Referência

A crítica de Heidegger ao conceito de substância e à metafísica do subjectum: um embate com a teoria do conhecimento - Raphael Thomas.


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