Culto a personalidade.


Dilwale Dulhania Le Jayenge

Aditya Chopra

Esta mudança de forma a qual o filme perpassa desenvolve sua própria construção de esquemas de como conceber sua realidade, e é de maneira um tanto rígida que essa mudança ocorre, de fato bem controlada, não existindo uma mistura em si, mas uma dicotomia enrijecida. Para que a transformação ocorra nas sua formas conceptivas da realidade há uma cisão grosseira que divide o filme exatamente em dois, como uma justa medida exata. Assim precisamos que a primeira metade acabe para que realmente venhamos perceber essa mudança de tom. Não é que não tivéssemos a capacidade de intuir esse acontecimento através do roteiro, da historia e do andamento da trama, mas só realmente vamos perceber a mudança estética mais significativa ao longo dos primeiros minutos dessa segunda trama. É interessante desse jeito, perceber também essa questão da justa medida exata a qual a obra engendra nesses blocos, e que também só iremos perceber melhor durante o segundo, é a questão da duração como esquema enigmático disso que faz com que a obra possua uma dose exata que faça com que essas duas partes conversem de maneira uma tanto animosa, isto é, o embate gerado pelas diferenças estéticas ocorridas ao longo da segunda metade faz com que essa primeira se demostre a posteriori uma preparação, uma iniciação ao que de mais cansativo se possa apresentar na segunda, como uma burocracia que reforçará dramaticamente a tradição do segundo ato.

Existe nesse sentido em disputa, algo muito importante e caro ao cinema, a mise en scene, que é na arte cinematográfica configurada pelo o que a câmera consegue capturar em seu quadro, mesmo com o máximo de movimento que ela possa fazer, e mesmo em panorâmicas que sobrevoam o cenário, é a força da imagem a ser filmada que trará para o diretor esse senso de guerra a qual o filme promove, oras, no primeiro filme, vamos chamar assim, antes e depois do intervalo que assume a tela; uma vontade de disputa, que através do gênero romance muito bem construída pelo também despojar dos atores e pela repulsa que um tem do outro a começar pelos campos e contracampos que nunca estão presente num mesmo espaço-tempo formando um terceiro espaço idílico, romântico, como o próprio gênero sugere. É um filme assim movido antes pela força espiritual do gênero, do que pelas forças da montagem.

O primeiro filme é então a antítese do segundo nessas formas de conceber a montagem, é idílica, os personagens não conversam entre si de maneira mais direta, mas por brincadeiras que transformam suas próprias dicotomias internas desse primeiro filme num espaço de ninguém. Parte que se passa pela Europa, como uma especie de road movie, o que insere nesse segundo filme de antemão, uma disputa interna de sua lógica com um embate a ser resolvido, e que durante sua exibição, aos poucos vamos percebendo se tratar de um outro jogo, com outras regras de gênero. O segundo filme começa com esse impasse, de uma guerra que esta em percurso advinda de tempos anteriores aos seus, mas que é conectado pelo intervalo que promove a continuidade no sentido da duração epistêmica desse conteúdo que estava sendo tratado e que no segundo momento, nesse segundo tempo desse jogo as relações se dão por uma embate mais direto, mas que por meio desse trickster, do personagem principal a qual é representativo desse plano idílico que tenta sempre escapulir da primeira parte, anunciando já na segunda de maneira um tanto acelerada, ou ainda essa justa medida corporificada que dará o tom da guerra mais física nesse suposto a posteriori. É como se esse plano que escapole nos embates anteriores como uma guerra mais fria comandasse os rumos desse que é agora mais quente, não sendo movido diretamente pelo gênero agora, por se tratar de algo mais materialista como o melodrama, mais cientificamente sociabilizado, sendo englobado pelo princípio ainda maior que o próprio plano perdido no romance, mais que o próprio ato cinematográfico, e por mais que os campos e contracampos sejam mais incisivos agora, é também por esse primeiro momento a priori que o faz como algo indiscutível e transcendental, mesmo que as multipolaridades de uma quarta teoria politica tente reaver e destituir para que retornemos a esse espaço teleológico da própria teologia, do rigor premeditado que ligam a tradição como o progresso aqui, o aparato acaba que subsume o ser aí.

Portanto é um filme bastante materialista por ter como motivo o abandono do campo e contracampo clássico, para que esse terceiro excluído de gênero idealista possa governar a obra como um todo. Ele é dessa forma transcendental, voltado a si mesmo, centrípeto e narcista bem ao estilo da psicanalise dos elementos de Bachelard e menos do que veio a ser a psiquiatria adjunto a farmacêutica, a tratar o narcisismo como uma patologia, um mito que constrói para si um espaço-tempo próprios destituindo os deuses e sendo personificado em uma flor pelos próprios derrotados.

Referências

Alexander Dugin na rede social X, acessado no dia 04/04/2026 as 22h e 40min.

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