Isomorfia
Pretty Peaches
Alex de Renzy
“To the extent that divergence is affirmed and disjunction becomes a positive synthesis, it seems that all events, even contraries, are compatible […]. Incompatibility does not exist between two events, but between an event and the world or the individual which actualizes another event as divergent. At this point, there is something which does not allow itself to be reduced to a logical contradiction between predicates and which is nevertheless an incompatibility.”
O socialismo veio a ser um limbo, um aprisionamento de almas, um lugar de conservação e antitradicionalismos: é já sabido que a pornografia trabalha no sentido da exaustão, da repetição massificadora e industrializada da superfície, da divisão mais nacionalizante do trabalho, da especialização exacerbada da mão de obra, cada um exerce uma função demasiadamente especifica na linha de produção, constatação que o marxismo soube bem delimitar em adjunto as balizas traçadas do que é o capitalismo, mas em não dar enfase no Dinheiro como uma espécime de deidade, acabou diluindo toda sua critica em processos sociológicos e economicistas. Diriam que analisar um filme desse tipo seria hiperespeculação, masturbação intelectual, mas oras bolas, se me permitam a poética também exagerada, a arte ou qualquer produção humana, por mais venérea e inumana que seja como é sim o caso aqui merece ser analisada, até para ser impedida e destruída, e senão é esse o maior e principal acerto comunista, ao bem e ao mal? A liberdade perante a metafisica laica, ao sentido dado pelas superfícies, e as contradições geradas pela quebra da quarta parede.
Essa inociência da mulher assim é relacionada com a falta de memória devido a esses mesmos absurdos que a superfície da imagem pornográfica causa, e que como repulsa também fará com que o reflexo dessa imagem cristalizada sirva como um espelho sociologizado dessa hipérbole que é esse gênero de filmes, e que teve a década de 70 seu auge da liberalização, como ferramenta para se propagar mais "leve" o poder e as ferramentas politicas do imperialismo nazisionista. O sentido industrial esta nisso, de fazer elevar através da impessoalidade da imagem uma forma de vida, por uma ferramenta que simula muito bem a realidade através dessa sua cristalização. É sim verossímil a idiotice de todos ali, por mais absurdo das situações é através desse fato, do escancarado, ("exploitation") como também é comumente chamado esse gênero cinematográfico que fará com que a dominação das massas pelo liberalismo se concretize ainda mais, pela sedução da transgressão.
O socialismo contemporâneo neoacadêmico e neoconservador, diria logo que essa situação é um problema estrutural, onde aqueles personagens não possuem escolhas, o que é também de fato concretizado pela mise en scene do que o próprio ato cinematográfico, do simulacro, o recorte de vida que os aparatos de cinema criam, mas que o diretor subverte esse falso moralismo humanitário, justamente com essa inocência de seus personagens, e da inocência diga-se de passagem no seu sentido mais cronológico e menos aiônico possível, da infantilização da inocência pela ciência. A disjunção lógica apresentada pelas falhas da ciência social esta assim na afirmação da negação e do diferente também como verdadeiro, que encontrara no cinema de Tobe Hooper o sentido mais sublime dessa lógica, desse liberalismo expansivo como via de regra para a construção desse nacionalismo progressivo da técnica avassaladora, da saturação das superfícies antiplatônicas nesse absurdo imanente, o tom documental do "massacre da serra elétrica" é aqui, por exemplo, tragado pelos humores de toda sorte, da rejeição da protagonista aos amigos derrotados e sem classe, como personagens de Monte Hellman, a aceitação da classuda turma de psiquiatras na suruba, onde será dinamitada essa suposta hierarquia pelo igualar dos desejos, e do incesto fantasmagórico permitido também pelo casal de cafetinos. Aqui, pelo menos, diante desse exagero todo, já não cabe mais o marxismo, pois ele mesmo automaticamente se exclui, mesmo que haja um processo histórico em toda aquela repetição enlatada, ao negar a dimensão metafisica e não perceber seus movimentos de verossimilhança em paradoxo ao igualitarismo que ele promove. Então não é que o nazismo seja uma reação em cadeia do liberalismo, mas uma contradição afirmadora ao progressismo, tanto num sentido encadeado pelo que já é material, quanto o que pode ser em novas formas politicas ainda emergentes quando fundamentadas pela forma mercadoria, e pelo keynesianismo.
Referência
Lógica do sentido - Gilles Deleuze
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