Experimentaçao controlada.
Army of Darkness
Sam Raimi
"[...] Abandona-se o Símbolo e as maiúsculas, a teoria da correspondência das cores e outras, para dar lugar à Impressão, mensagem pessoal da realidade captada através dos sentidos e analiticamente decomposta em seus elementos. É assim que, sem forçar interpretações, pode-se assinalar, tanto no estrangeiro como aqui, um Impressionismo de primeira hora: exterior, descritivo; um de segunda fase: psicológico, onde o monólogo interior representa magna parte."
Estas inúmeras formas que se dão pelo tempo, da narração em off, que faz o interlúdio entre um filme e outro, e nos prepara para acessar outro espaço. Só iremos acessar essa noção de multiplicidade mais a frente no inicio da jornada, mas antes a percepção dada pelo mistico local ao intuir esse messias atemporalizado fará com que o sentido que se carregava no extrafilme, no contexto de "Army of Darkness" se concretize rapidamente. Da técnica e das ferramentas, da narração subjetivada a escopeta que fazem com que esse messias tome poder desse novo espaço, destroem qualquer prenuncio de uma escatologia niilista possível, mas a de salvação positivista daquele ambiente artificializado, onde o demônio desse extrafilme corrobore materialmente com esse impresso do agora.
A câmera que persegue o personagem principal assim que esse inicia sua jornada também serve como argumento para esse extrafilme que rodeia o campo de cinema para Sam Raimi, ou seja, todo o tempo que se conduz a organização de cena, culmina numa comédia bastante corpórea, de vicissitudes, a própria estrutura a qual o exército do demônio é formada. Tecnicamente o filme é interessante por afirmar esse lugar do cinema mais lixo, feito com poucos recursos, e é daí que ele tira mais força, também por esse uso do tempo como máquina paralela de construções de quadros, isto é: de fazer com que a própria câmera se torne um e o próprio personagem, de sair desse tempo que percorre a mise en scene para dentro do próprio filme, num movimento bastante direcionado e controlado.
Por fim esse extrafilme que adentra ao filme mais uma vez se força a sair dele, para que no final quase tome como forma a matéria novamente e consiga se fazer como força motriz do quadro mais uma vez, para que no epílogo, se perder no tempo. Quando esse demônio toma forma e organiza seu exército, a jornada se vê necessária encerrar para que haja o enfrentamento e as burocracias de roteiro sejam resolvidas, e para que o herói se assuma no poder que perdera e possa fazer essa viagem que tenta encerrar o filme. O que fica com esse fim é mais uma questão do quanto e com qual qualidade essa força que conjura o quadro consegue promover, da autoria em seu movimento mais livre e estimado. A impressão que fica é desse cinema como até uma certa repulsa a experimentação mais superficializante, como os filmes de Brakhage por exemplo, onde a técnica mais artesanal perdura e se sobressai de maneira sensorial e um tanto materialista, onde Raimi se demonstra mais autoral ao controlar a técnica para fins mais orgânicos e ordeiros por fim.
Referências
O impressionismo romântico de Raul Pompeia - Marciano Lopes
Comentários
Postar um comentário