Do que é anterior.



"Para confirmar esta teoria da idealidade tanto do sentido externo como do interno, por conseguinte de todos os objetos dos sentidos como simples aparecimentos, pode servir egregiamente a observação de que tudo o que em nosso conhecimento pertence à intuição (...) não contém senão meras relações de lugares numa intuição (extensão), de mudança de lugares (movimento), e leis segundo as quais esta mudança é determinada (forças motoras)" 

Maharaja

Nithilan Saminathan

É sobre manipulação, mas que só saberemos mais para o desfecho, afinal o diretor consegue nos ludibriar de tal forma que essa percepção da temática e da historia não é sobre o que intuíamos, e que o filme deixa de ser um e passa a ser outro, nosso olhar se torna diferente, somos deslocados para outro lugar. É nesse sentido que a imanência se demonstra ainda mais materialista, e assim nos remete a um duplo dessa matéria, uma substância que toma forma e simula a brutalidade da natureza terrena. Matéria como terra, geologia em seu sentido mais estrito ou quiça primitivo de Gaia Ciência.

Desse orientalismo que vos descreve Nietzsche em sua filosofia como um todo, da morte de Deus em não no seu sentido direto como muitos entendem, mas da reivindicação de novos parâmetros e novas possibilidades de metafisicas na linha implosiva a qual Kant estabeleceu, ao retirar as possibilidades de se estudar Deus através da metafisica. Um problema que irá escamotear outros, como por exemplo a própria sociologia marxista ao levar esse entendimento da morte de deus no sentido mais radical e "materialista". E é aqui que essas distinções entres materialismo, imanências e realismos pode ser melhor feita. Se para o oriente a matéria nunca esta separada do espirito, e aqui no sentido de taoismo, ou um Uno indivisível, se permitem a analogia, que se desenvolverá a noção de realismo, ou mesmo toda a ciência da lógica concebida por Hegel, culminando na linguagem como delimitação do mundo em Wittgeisntein. Essa vagueza, e a historia em saltos dada dessa forma serve também para demonstrar as possibilidades desse realismo travestido de matéria/imanência, ou seja, do poder subjetivo em dar vazão a construção de parâmetros estéticos capazes de criar outras realidades tão complexas que também simulem a brutalidade da matéria como dita anteriormente.

Portanto toda essa manipulação que o diretor submete aqui é para tecnicizar essa submissão da própria matéria diante do transcendental kantiano, da morte de deus que é antes uma conservação de sua essência, indiscernível da metafísica, de faze-lo multiplicar-se, ganhar controle sobre Ele de maneira a refleti-lo, um dividir para conquistar no seu sentido imperialista de ser na economia caótica a base de histerias, de universalismos. Esse controle passa a ser assim uma hiperespeculação que por vezes perde até mesmo seu sentido social da filosofia, pois passa a ser puramente matemático, ou o que Kant nomeou de juízos sintéticos a priori, um tipo de motor que gerará toda essa força maquínica de conceitos interdisciplinares, ou o obscuro deleuzianismo, da sociologia que é expulsa e/ou banalizada dando espaço a inumanidade, fazer da técnica a dimensão radical da imaginação algorítmica, da força sobrenatural imbuída de imanência, da deidade adjunta a matéria e portanto realista, passando pela reviravolta e se tornar outra coisa que seja a vingança socioeconômica mesmo que tenha ela sido destruída, ou melhor, apenas sido excluída para assim tomar lugar desse motor produtor de forças e poderes controladores.

Referência

Notas sobre a estética transcendental de Kant: intuição e aparecimento, forma e matéria. - Luís Eduardo.

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