Contradição e materialismos.



Gosenzo-sama Banbanzai!

Mamoru Oshii

"And the fact that these alternate modes of reasoning are currently unorthodox does not mean that we can simply dismiss them out of hand. As Graham Priest shows, certain non-classical logics are not irrational or unreasonable in the least, and, in fact, in many important ways they are more rational than traditional logic. For, they are more adequate for dealing with certain philosophical problems. Thus, it is more rational to use such alternate modes of reasoning in these cases. For instance, Priest argues, it is more rational to use a logic that can allow for contradiction in order to handle the liar’s paradox, because (among other things) it provides a simpler sufficient solution, and it has greater explanatory power with regard to the underlying matter. And historically speaking, classical logic can be seen as having already fallen out of prominence, being now replaced by non-classical logics.  Priest, Doubt Truth, 125–9 (section 7.4, “The Rationality of Inconsistency”). Here Priest argues that it is more rational to accept a paraconsistent logic when dealing with the liar paradox, because its ability to handle contradiction makes it more adequate to the given data of the problem, it gives a simpler sufficient solution, it has greater explanatory power with regard to the underlying phenomena, and it provides a more complete account."

Uma das divisões e classificações na historia da filosofia e que é de grande importância pros entendimentos contemporâneos é a separação entre moral e ética. Enquanto a tradição retoma o sentido moral como predecessor da ética, os pós modernos liderados por Deleuze, colocam a ética como  ponto original da moralidade, ou melhor, destituem a moral para por a ética em seu lugar, dando a ela um sentido pratico e ativo, diferentemente da moral dada e passiva, numa tentativa de reavivar o potencial filosófico. Dessa forma fica evidente o sentido gerador da moral, mesmo que esses contemporâneos tentem disfarçar suas premissas estruturais e consequentemente materialistas, ao dar a ética um devir imanente, quase que orientalista. Mas não é um fato que essa divisão tenha ocorrido nos tempos mais que modernos, se não, ainda na Grécia antiga entre a disputa Platão e Aristóteles. Esse refazer dos processos históricos é importante até para o surgimento de novos conceitos, novas classificações e julgamentos, portanto novos sistemas metafísicos de concepção de mundo, e mesmo que hajam os que ainda acreditam também numa indivisão, de que esses campos não são divisíveis e nunca nem foram, pois permanecem a mesma e unica coisa.

Mamoru Oshii entende isso quando nos instaura o sentido sociológico embutido numa metafisica primeva, mas que só é revelada aos poucos durante os episódios, o que antes parece apenas um exercício extremamente linguístico, vai se consolidando como um comentário sociológico sobre, ou sob, o espirito que governa e politiza toda uma geração. Ainda que esses processos modernosos venham para resiguinificar algo já dado, eles não destituem isso mesmo que já é, a existência que precede todos os outros campos do saber, inclusive deus, numa forma de ateísmo ainda mais radical de um verdadeiro materialismo atomizado, democrático em seus ínterins epicuristas, mas que como predecessor ainda também não é ciência, técnica, o que gera contradições que são mais facilmente resolvidas, antes de se criar paradoxos que compliquem ainda mais essa existência.

Portanto a mimeses será de grande importância aqui, pois é através de similitudes, e de um universalismo que precede inclusive o humanismo ou qualquer ideia de essência o que faz com que a biologia também permaneça distante desse lugar que poderia ser possivelmente comum, até pelas também divisões processuais e politicas entre poder e potencia. Quando então essa sociedade que tenta comentar a metafisica, revelando o que tem de mais grotesco em seus movimentos retirando o sentido de poder dessas atitudes filosóficas e dando a elas somente a possibilidade, a potencia, ou seja, não é que a religiosidade seja universalista como entende os teólogos políticos, e que ela foi secularizada, atomizadas através de democracias, mas que as classes sociais que permanecem no topo não estejam subjugando as inferiores, mas também que é por meio de vontades e desejos que a logica se mantem, e mesmo que exista algum terceiro termo que venha para desmistificar isso, é na verdade um sentido estético de distração do real processo de sacralização desse comum.

A biologia de uma ornitologia é nesse sentido a mimese que estabelece e toma esse terceiro termo que poderia representar qualquer movimento social, e daí dar mais uma vez poder a ciência a qual ganha ainda mais força ao tecer toda uma trama social, empurrando de maneira quase dualista a metafisica para esse lugar do estranho, ou do não sentido, da confusão por fim, o que só fortalece seu telos ao mostrar como o individuo que se isola fica ainda mais refém às atrocidades de qualquer progresso, mesmo aquele que se mostre mais conservador a principio, ou aquele inevitável que nos leva a escatologia, ao fracasso.

Fica evidente a mim que é para esse diretor de suma importância essa genealogia que demonstra as disputas mesmo que sejam em meios idênticos e imanentes, seus sentidos dualistas e logo gnósticos, desses que não necessitam de um terceiro termo tutelador, mesmo que a investigação perpasse somente pela conscienciosidade, ela será também uma técnica integradora desse espaço. A questão a ser melhor formulada seria então não o que precede ou procede, mas o que veio a ser antes que desencadeia isso que é agora, uma pergunta com viés antiexistencial, isto é, extremamente sintático, num plano que digladia o outro, porem que não se interessam na sua duração mas justamente o quão elástica possa ser essa sintaxe e sua força repulsiva no momento da rebentação, ignorando de maneira destrutiva o que é moral e gramatical, para se manter numa poética rarefeita e dominadora, espiritualista.

Espero que tenha ficado claro pelo menos o sentido fundamental desse comentário: qual é o sentido simplificador da contradição, pois também não quis entrar nas complicações do paradoxo e suas relações com a natureza até pelas interpretações espinosistas, ficando somente aqui o viés hegeliano de imanentização e o que a tradição freudiana chamara de recalque, ou ainda a individuação da própria sociologia perante a metafisica, do personagem largado a sorte da morte enquanto o dirigível se afasta em plogee.

Referência

The logic of Gilles Deleuze - Corry Shores

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