Knock at the cabin, 2023.

M. Night Shyamalan.

"Com relação ao que objetas em segundo lugar, pela predicação da espécie pelo gênero, digo que aí não se predica a parte do todo, pois quando digo homem é corpo digo que corpo pode ser tomado como parte do homem dizendo, nesse sentido, um certo composto incompleto de matéria e de uma forma derivada de certo modo da potência da matéria, pois possuidora com relação à forma completiva da função de matéria, e, nesse sentido, <corpo> não é predicado de homem. De outro modo pode-se tomar <corpo> na medida em que significa um composto no qual se encontra a forma da corporeidade e que, de modo indeterminado, significa toda a quididade de qualquer espécie na qual se encontre a forma da corporeidade. E digo que corpo possui aqui o sentido de gênero e que, desse modo, significa aquilo mesmo que homem significa e aquilo mesmo que qualquer espécie corporal significa. Mas de modo distinto aqui e ali, pois o que corpo significa de modo indeterminado a espécie significa de modo determinado. Assim, quando dizemos homem é corpo ou asno é corpo, e do mesmo modo em outros casos, não ocorre uma predicação do todo pela parte, mas uma predicação de uma coisa significada de modo determinado pela mesma coisa significada de modo indeterminado." - Mediavilla.

"Nós inventaremos juntos o que eu chamo de A IMAGINAÇÃO SEM FIOS. Chegaremos um dia a uma arte ainda mais essencial, quando ousaremos suprimir todos os primeiros termos de nossas analogias, para não dar outra coisa a não ser a sequência ininterrupta dos segundos termos. Será preciso, para isso, renunciar a sermos compreendidos. Ser compreendido, não é necessário." - Marinetti.

A mediunidade constrói terríveis movimentos subcutâneos, antes mesmo que a vida possa procriar e se fazer como os cinco sentidos, ela permanece nesse impasse do Tempo como se fosse inimiga dessa atroz promiscuidade que é a superfície, das resoluções mal resolvidas onde se despolitiza pelo fim da sobrevivência. Se enxergamos o fascismo como um problema do ser e não só meramente estético, perceberíamos que essa luta pela colonização do outro é antes de política-econômica, uma questão de sobrevivência, e como movimento devirginal e contraditório, a positividade aparecerá como um duplo econômico, ou seja, o capitalismo é antes de ser fato que une pessoas e cria laços, uma rede abstrata de relações. Linguisticamente, o filme demostra isso na narrativa paralela, onde aos poucos vai revelando qual dos dois heróis é mais passivo e qual o mais agressivo, obviamente, aos nossos sentidos a agressividade se sobressai e fica à memória de que ele prevalece. A repaginada aqui é ainda um retorno ao melodrama mais básico, ao mito da divisão hermafrodita, ao evangelho. Mas o que temos de mais interessante é um desses personagens proféticos tomar a dianteira durante a transmissão da televisão a reportar as desgraças enquanto as recita conjuntamente. É dessa memória de que falo, e que o diretor irá nos aportar, aqui quando o passado mais distante se encontra com o presente mais próximo possível, no instante que ele deixa de ser futuro. Instantes onde se dão a forma, a rostidade tal qual os pois modernos chamam, ou a quididade dos teólogos exterminados pela técnica irrestrita do futuro, da matéria-potencial. Nesse sentido é a distância e a existência que ditarão esse novo ser que surge, por mais agarrado a natureza/cultura, é nesse ínterim também que se fará a cisão para que ele surja.  Nos revelando a medida certa de distância entre essa essência e a imagem que desponta, e que o Estado da arte não é capaz de entendê-lo, mas matematicamente utilizá-lo.

Referencias

Hilemorfismo, essência e definição: Acordos e desacordos do debate medieval. Rodrigo Guerizoli.

O tempo do Futurismo. Vanessa Bertolucce.

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