Knock at the cabin, 2023.
M. Night Shyamalan.
"Nós inventaremos juntos o que eu chamo de A IMAGINAÇÃO SEM FIOS. Chegaremos um dia a uma arte ainda mais essencial, quando ousaremos suprimir todos os primeiros termos de nossas analogias, para não dar outra coisa a não ser a sequência ininterrupta dos segundos termos. Será preciso, para isso, renunciar a sermos compreendidos. Ser compreendido, não é necessário." - Marinetti.
A mediunidade constrói terríveis movimentos subcutâneos, antes mesmo que a vida possa procriar e se fazer como os cinco sentidos, ela permanece nesse impasse do Tempo como se fosse inimiga dessa atroz promiscuidade que é a superfície, das resoluções mal resolvidas onde se despolitiza pelo fim da sobrevivência. Se enxergamos o fascismo como um problema do ser e não só meramente estético, perceberíamos que essa luta pela colonização do outro é antes de política-econômica, uma questão de sobrevivência, e como movimento devirginal e contraditório, a positividade aparecerá como um duplo econômico, ou seja, o capitalismo é antes de ser fato que une pessoas e cria laços, uma rede abstrata de relações. Linguisticamente, o filme demostra isso na narrativa paralela, onde aos poucos vai revelando qual dos dois heróis é mais passivo e qual o mais agressivo, obviamente, aos nossos sentidos a agressividade se sobressai e fica à memória de que ele prevalece. A repaginada aqui é ainda um retorno ao melodrama mais básico, ao mito da divisão hermafrodita, ao evangelho. Mas o que temos de mais interessante é um desses personagens proféticos tomar a dianteira durante a transmissão da televisão a reportar as desgraças enquanto as recita conjuntamente. É dessa memória de que falo, e que o diretor irá nos aportar, aqui quando o passado mais distante se encontra com o presente mais próximo possível, no instante que ele deixa de ser futuro. Instantes onde se dão a forma, a rostidade tal qual os pois modernos chamam, ou a quididade dos teólogos exterminados pela técnica irrestrita do futuro, da matéria-potencial. Nesse sentido é a distância e a existência que ditarão esse novo ser que surge, por mais agarrado a natureza/cultura, é nesse ínterim também que se fará a cisão para que ele surja. Nos revelando a medida certa de distância entre essa essência e a imagem que desponta, e que o Estado da arte não é capaz de entendê-lo, mas matematicamente utilizá-lo.
Referencias
Hilemorfismo, essência e definição: Acordos e desacordos do debate medieval. Rodrigo Guerizoli.
O tempo do Futurismo. Vanessa Bertolucce.
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