Pelo fenômeno.
3x Robert Bresson.
"Todo estilo é, assim, antes de mais nada, uma dupla diferencialidade intuída. É com base no pressuposto de que essa intuição não é arbitrária, mas motivada [...], que saímos do nível puramente existencial para o formal, começando já a realizar uma Estilística. A esta compete, deste modo, fornecer, no nível formal, a comprovação ou refutação de uma intuição de estilo." - Chociay.
"diferente do poder que se baseia na troca de dádivas ou na violência. Sem ter que recorrer à coação física ou mental do outro, esse poder é exercido por meio de trocas baseadas no consentimento mútuo." - Karatani.
Quatre nuits d'un rêveur, 1971.
O espaço que nos diz o quanto as relações se darão por qualidade, aqui Bresson transforma assim o corpo dos jovens em fantoches para que a cortina de fumaça projetada pelo final das possibilidades politicas, e das transformações que isso se da na própria arte e filosofia. Como a bossa nova, que emite a felicidade através da melancolia, ou como deveria ser toda obra de arte? Só é possível a felicidade pelo pessimismo? Apesar do diretor não abrir espaço para rodeios, mesmo quando a narrativa digride, para usar um linguajar informal e popular, retornando ao fundamento dos personagens, a mudança de planos se constrói na normatividade, o corpo do artista assim não pode ser outro mesmo nas tentativas de adaptação, o que ocorre para que eles fiquem assombrados pela ordem é, na verdade o contorno que fazem para permanecerem vivos no plano medido a passos. Como quando o artista atravessa pela jovem na calçada a observar a vitrine, sai do quadro, para em seguida ela caminhar disfarçadamente na direção oposta, ele então retorna atrás dela, voltando ao plano e logo é retirado do rumo mais uma vez por outra jovem na direção oposta. O filme se constrói todo nesses sentidos, de corpos que perpassam em sentidos perpendiculares mudando rumos de outros, quando uma arte embate a outra e se torna uma coisa só, observamos a nós mesmos no final, sempre forçados a uma inadequação dada pelo caleidoscópio desses olhares, do transporte da alma a outros planos-espaços empateticamente diluindo o espirito reafirmando sua liquidez adilaetica. A equisistência é um existir em distância, como não participar da realidade cultural, mas também em uma equidade fantasmagórica que só equinos conseguem atravessar, entre planos, a existência só se da entre-planos. Com o fim da pedagogia assim, a revelação só dará nesse momento que transforma a conexão dos corpos como silhuetas, minimamente como nossa única escola que nos resta, cinema.
L'Argent, 1983.
O senso comum é intransponível, o mutável como imutabilidade. Guerra infindável entre valores que se impõem nas relações, o dinheiro como hábitos e costumes, prevalece antes da sublimação da mercadoria. Nesse sentido sao afetos que conjurarão esse simbolo que se torna significante a medida de que é compartilhado e tornado palpável, comum. Como não fazer assim uma leitura ideológica desse filme? Se não estivéssemos vivendo em alguma comunidade, por mais que ela não se demonstre como uma, afinal é isso que ela mais quer. E sociedade aqui como um único corpo, um leviatã, fazendo com que esses valores se consolidem. A técnica se faz mais que importante, ela é junto a esse macro corpo quem promoverá essas trocas em maul caráter. Da face que demonstra quase nada, da personalidade como um disfarce que corrobora com um açoite a relação que fica entre esse caminhar da cidade ao campo. Como no filme anterior, o presságio está dado, mas não como atravessamento, e sim como repetições que se esvaem na in-diferença, enquanto um derruba o outro. Não se fala quase em moral na crítica das artes mais especializada, mas se e somente se, como a ferramenta usada pelo autor nos carregará nesse trajeto entre o entendimento e a intelecção, a composição só se dá nessa forma, quando não há, não existira arte nesse sentido, construindo tudo que temos de pior relacionalmente, por mais escapistas que tentamos ser, a conta por esse busca pela equidade à máquina cobrará sua conta cedo ou tarde. Nesse igualar com a natureza, o motor imóvel diria a filosofia aristotélica, naturaliza em duplo sentido essa cultura, onde o que mais importa é a milimétrica do gesto, até como sua desesperança com o todo o leva assumir a similitude ao invés do mutualismo. A matéria é massa de modelar, do corpo esculpido por uma vontade majoritária e não somente do sujeito, não existindo assim individualismo, apenas endurecimento dos músculos, a massa se tornando consistente, menos liquida, de umidade devidamente controlada. A ciência social comparada ao sofisma.
Referências
Demétrio e o estilo: breve história da tradução de um título. Henrique Cairus et al.
Modos de intercâmbio, metabolismo e formações sociais: contribuições do esquema de Kojin Karatani para pensar a dimensão espacial. Bruno Costa
Paisagens fronteiriças no cinema contemporâneo. Andréa França.
A pluralidade dos Moventes Imóveis e os Tipos de Intelecção na Metafísica Λ de Aristóteles. Meline Sousa.
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