Dois curtas brasileiros dos noventa, e um média indiano, talvez.
Não é que a dialética romântica seja um mal a ser combatida com as armas liberais; e mal apenas com l, como indicativo de modelo, sem a moralidade, carregando assim o maul estar, pois é tudo corriqueiro, comum, dos costumes. Entre Christine de Carpenter e Crash de Cronenberg forma-se falhas capazes de criar outra sociabilidade, que inclusive não tenham a capacidade de registrar nada, seja por sentido lamarckiano, por utilidade physica, ou darwinisticamente por ductilidade física.
"Foi contra uma etapa do pensamento ocidental, contra o psicologismo, o pragmatismo que a fenomenologia refletiu. Segundo o mesmo autor, tal corrente filosófica “...começou por ser e continua sendo uma meditação acerca do conhecimento, um conhecimento do conhecimento; e o célebre pôr entre parênteses consiste, em primeiro lugar, em dispensar uma cultura, uma história, em fazer todo o saber, elevando-se a um saber radical”(2)" - Silva.
Juvenilia, 1994.
Paulo Sacramento.
Formalismo a serviço da verdade, e de como o senso comum pode nos levar a essa verdade. De como a força, o que desponta como consequência de uma maioria, não representa em si o próprio conjunto que a fez emergir. A minoria que fica como dicotomia dessa força é levada a cabo pela discussão e debates travados pela síntese desse despontar como o que presencialmente é ausente. A câmera assim funciona como um princípio documental, filmar fotos, como na origem do cinema, registrar peças de teatro, fazendo do cinematógrafo justamente uma forma empática, o não-ser. Todavia, esse registro não se faz de forma totalmente passiva, mas esquemática, da a esse entendimento anterior, de algo que se cria somente na intuição, na máquina anti-técnica. Temos o zoom.
Noite final menos cinco minutos, 1994.
Debora Waldman.
Negar através da afirmação dessa forma para que a intelectualidade não interfira nos dissabores da matéria. Paixão pela máquina e desinteresse parcial pela ferramenta, do carro não como meio de locomoção, mas arma de guerra, de extensão do corpo, antes doente, e mal-ajambrado pelo organismo ao qual está inserido. Essa cidade que não sai de nós, mesmo na fuga, e nesse contato com o que também não é visto, para assim o formalismo sempre se dá no alcance desse escapulir, que esta mais para a conservação do que uma certa revolução. Enquanto a maquinha grunhe e lhe dá o troco, o aprendizado não se consuma, as repetições dão assim isso de que chamo in-diferença, a subtração nos seios da estética. A cultura da forma que se esvai pelo assalto a mão armada contra a natureza do ferramentar, do que é teleologicamente, finalizado, e com memoria que são invenções.
Climax, 2020.
Ram Gopal Varma.
Memoria cosmopolita que se reproduz pela máquina de guerra, sendo mais uma vez a ferramenta algo incapaz de se dirigir e governar, o que acarreta nessa falha de interpretação empírica. Seja pelo que vem antes como a própria memória, seja num mero instinto de espasmos musculares, ou na criação de toda uma cultura e sociedade. As regras que se dão são aos olhos estrangeiros uma forma estranha e onírica do que exatamente sempre é, se passado e futuro, como quando sujeitos seculares se dão com seres milenares de uma língua já formada contra uma que ainda balbucia, e se acha capaz de controlar outros sujeitos pela força, pelo exatamente que desponta, e mesmo com um totem como aviso irá fazer com que trilhemos o caminho do erro. A infantilidade necessita ser separada da inociencia nesse sentido, enquanto a segunda é o próprio ato de microscopar o que quer que seja, a primeira é o jogo que se joga na superfície, nas aparências, levando a política a um estado não de submissão, mas de descolamento da ciência. A oralidade vem sempre através dessa maioria, que a princípio não se mostra como o segredo que permanece na inconsciência em uma mediação com o sujeito, deixando-o disforme ao olho comum, ao sobreviver de gozo somente.
Referências
Fenomenologia. Jovânia Silva et al.
Igualdade e diferença: uma discussão conceitual mediada pelo contraponto das desigualdades. José Barros.
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