Maryada Ramanna, 2010.

S.S. Rajamouli.

"natureza expressiva do Estado balinês [ ] se inclinou [ ] para o espetáculo, para a cerimônia, para a dramatização pública das obsessões dominantes da cultura balineza: a desigualdade social e o orgulho do status. Tratava-se de um Estado-teatro no qual reis e os príncipes eram os empresários, os sacerdotes encenadores, e os camponeses actores, equipe cênica e público." -Geertz.

"As comédias também têm um código; são feitas com pouco contraste. Primeiro, porque não seria agradável ver gente fazendo graça com o clima pesado das sombras profundas [referên-cia à fotografia dos filmes noir]. Segundo, porque é mais fácil e rápido fazer uma fotografia chapada, sem contraste, como dizem os iluminadores de televisão. E como ninguém vai ver comédia para ver efeitos de luz e sombra, faz-se só o necessário para que os atores sejam vistos. E pronto. [...] Luz por todo lado, para todos e tudo" - Moura.

Terrorismo como moeda de troca na dialética progressista. Subverter o didatismo é a tônica aqui. Se o combate esta mais próximo de uma luta entre tradições, enquanto um lado apenas sobrevive, e se descobre herdeiro, o outro está consolidado nessa relação entre opressores e oprimidos. Como controlar assim a entrada e saída de espectros numa metafísica? Ambivalente, e no sentido grotesco, a síntese irá operar dessa forma como uma chave que entorpece-inicia os lados, retirando os da verdadeira guerra, alienando-os. Enquanto um lado já está alienado por ter sido retirado sua força de produção, tendo que se escravizar agora de forma magica e simpatetica, o outro produz sua mais-valia construindo principalmente uma misse en scene que não aporta a confusão e popularidade atraída pelo primeiro. Ordem que constituiu essa família que se sobressaiu na história, é toda fundamentada nessa questão com a terra, o espaço, enquanto o tempo se faz sempre airado e cômico na figura de ser solitário, sofrido e trabalhador, preso agora na contradição do capital, não somente mais nas castas. Originalmente o melodrama é a fundação dos conflitos, mas aqui ele é usado como subgênero da comédia, como bem conhecido dos ocidentais, a comédia romântica, os dramas familiares contraditoriamente trazidos e consolidados na França com Moliere é levado aqui as últimas instâncias do também musical filme de guerra, de ação. Enquanto historia e progresso, a regressão da ação e dos flashbacks autodidaticos nos carregam para uma falsa continuidade do seu tom esperançoso, apesar dos elementos de tensão, por também ser um trilher. De como quando a pretendente descobre o que esta realmente acontecendo naquela metafisica, ganhando assim a consciência material, e assumido em seu processo reminiscente uma energia autodidata, apartando e equilibrando assim a desigualdade de forças, culminando sim num melodrama, mas que não é de grande interesse pelo pouco tempo de tela. Enfim, o espaço importa mais que o tempo, as quinas do salão da casa, os quartinhos escuros que deveriam guardar a memória, os degraus que levam a um andar elevadamente panoptico, para ai, o quartinho onde se castiga esse tempo transsexualizado para o timing.

Referencias

Entre "artes" e "ciências": a noção de performance e drama no campo das ciências sociais. Rubens da Silva.

Comédias românticas: situações de consumo e idealização social. Cleber Dalbosco.

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