Raat, 1992.

Ram Gopal Varma.

"É uma moeda cuja função é converter o que se vê (ou o que prefere não se ver) em espécie ou símbolo no interior de uma economia geral dos signos e das imagens que se trocam, que circulam, às quais se atribui ou não valor e que autorizam uma série de juízos e de atitudes práticas. Pode-se dizer que a raça é simultaneamente imagem, corpo e espelho inigmático no interior de uma economia das sombras, cujo atributo precípuo consiste em fazer da própria vida uma realidade espectral." - Mbembe.

"[...] o processo de distorção é, ele próprio, evidência de fenômenos que muitos historiadores desejam estudar, tais como mentalidades, ideologias e identidades. A imagem material ou literal é uma boa evidência da “imagem” mental ou metafórica do eu ou dos outros." - Burke.

Apaixonar-se pela câmera, ou melhor, pelo close a qual se inicia a vontade fílmica. Destilamos ódio sobre nos mesmos, pela próxima vítima a ser posta em prática o exorcismo, a perseguição da câmera e sua aproximação do corpo, desse que é sempre outro. É um filme que não chega a se consumar nesse sentido, ele percorre e rodeia seu objeto como teoria, e resolve seus problemas como um salto de fé, personagens que surgem sem grandes cargas dramática, como o do exorcista, sendo ele a chave para o ato final, para mostrar que a consumação é dada por uma forçação de roteiro do que por outros sentidos, como essa própria vontade de não pertencimento ao não se consumir. A construção de suspense que culmina num macete de roteiro, e por fim por pasmarmos e plasmarmos nossa vontade na superfície. O trabalho de som, assim, irá conduzir o olhar de forma mais expansiva, não somente essa perseguição da câmera-estável, mas ao desequilíbrio de ritmo pelas frenagens dos cortes da edição. Não ocorre nesse fato uma corrida para terminar a força que consome vagarosamente a obra, como numa inércia, há uma certa demora para a incorporação ocorrer, somos introduzidos vagarosamente nessa dimensão que não está interessada num sentido social, mas puramente sensacional/linguístico. A cisão aqui ocorre pela forma no embate entre vontade e persuasão logística. Gimnosofismos que não são somente pelo discurso, mas pela fluência da língua, pela óbvia repetição de uma política reacionária, ocorrida entre o plano que cola ao corpo seu fotograma, num movimento de reimpressão metempsicótica, não há saída a não ser pela investigação espiritual e hermética, e não pela via da ciência, do cinema que se torna cada menos documental, enquanto o fogo diante do aparato arde fulgurosamente. O Pai perde nesse conjunto a sua potência de norte, que passa agora esta nas creionças, que como jornalistas e mediúnicas avisam que o mal não mora ao lado, mas está dentro de casa, sob nossos pés, um duplo materialista conjurado lá no império romano, nas vias de esgoto.

Referencias.

Ser-outra: algumas inversões teóricas. - Tabata Berg.

A interpretação dos dogmas orientalistas por intermédio das imagens. - Leonardo da Silva.


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