O monstro legume do espaço, 1995.

Petter Baiestorf .

"Efetivamente, com a diferença entre ser e o ente, Heidegger se apropriou de um ponto de apoio da filosofia, mas para se servir como de uma “fórmula” (eine Formel) e mesmo como de um “termo codificado” (ein Deckname) destinado a sugerir uma coisa completamente diferente, que deve permanecer voluntariamente oculta para ser unicamente revelada no momento escolhido. É assim que em certos textos, deixa abruptamente entrever o que quer indicar." -  Faye.

“é improvável que esse poder tão essencial ao ser humano, o poder de transpor e de criar algo novo, pare diante de seu corpo” - Bloch.

A burocracia é criada com intuito de atravessar o ser por um caminho, do contrário que se entende por ser uma barreira, ela está mais como o totem da ciência aristotélica do que para a lei suprema e platônica, um processo kafkiano, para ilustrar. Como totem e senso incomum, essa "barreira" se assemelha mais a ideia de falo na psicanálise do que a alternativa que é capaz de construir/simular metafisicas. E assim como utilitarismo se torna ferramenta para abrir esses caminhos a ontologia, o que acarretará problemas positivos dessa forma. A ciência social entra aqui como outra ferramenta que ajudará essa técnica a avançar com um novo sentido politico, desvencilhando da metafísica, a diferença que se torna instrumentalizada, através dessa superfície extremamente conscientizada, agora está mais para a escolha, do que é e da onde esse ser pode ir, do que oportunidades que surgem nesse caminho. O segundo viés da burocracia, não é bem o sentido comum a qual se associa também a dimensão das ideias à dimensão teleológica. O cinema mostrará assim como isso ocorre, o trash pelo trash é a extremizaçao dessa vontade de retorno ao comum, ao espaço como aversão a tanatofobia, da construção de uma nova humanidade somente pela destruição, e consequentemente é pela Lei que isso se dá, da Physis, da biologia, porem não somente como aceitação, e sim como construção de crítica, de aprofundamento nesse duplo gerado pela matéria e buscar o entendimento de como essa instrumentalização que a priori não se mostra transcendentalista, embora seu retorno seja a co-criação adjunta da matéria de uma realidade e consciência que servem a manutenção do que já é. Essa segunda força leva ao didatismo perene da visão instrumentalista, ou seja, ela pode denominar e classificar o que quer que seja na realidade lúdica a qual cria, inclusive a diferença, e ditá-la como única, afinal a própria potência em poder. A Lei é assim mais abrangente ao perceber na physis seu correlato, não meramente biológico, mas também ao perceber que essa natureza, a principio imutável pelos classificadores, algo extremamente diferenciável e inalcançável, pelo menos aos cientistas mais honestos.Portanto, a repulsa dada pela imagem, o enquadramento que exauri o sentido do filme, anarquizando o senso comum, de mostrar que a outra sociedade dos militantes já é aqui e agora, ansiosamente como principio filosófico.

Referências

Ser, historia, técnica e extermínio na obra de Heidegger.  Emmanuel Faye.

A arte como utopia em Ernst Bloch. Jadismar Figueiredo.

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