Friday, 1995.
F. Gary Gray.
"A unicidade da obra de arte é idêntica à sua inserção no contexto da tradição. Sem dúvida, essa tradição é algo de muito vivo, de extraordinariamente variável. Uma antiga estátua de Vênus, por exemplo, estava inscrita numa tradição entre os gregos, que faziam dela um objeto de culto, e em outra tradição na Idade Média, quando os doutores da Igreja viam nela um ídolo malfazejo. O que era comum às duas tradições, contudo, era a unicidade da obra, ou, em outras palavras, sua aura." - Benjamin.
O método, segundo os críticos da arte, é essa técnica que faz com que o exercício de repetição o torne autor, reconhecimento. Acumulo. O ritual, melhor dizendo, processos de hábitos humeanos, que consolidao o ser, o pondo em estado de entidade. Governado agora por uma força além de si, a criação de deuses perpassa por esse processo cultural. O filme adentra desse jeito em etapas bem delineadas que demostram esse movimento, sempre materialista, de se criar entidades. O problema aqui é que forma de materialidade é conjurada ao longo da projeção das sombras nesse muro ao qual os protagonistas sempre estão a espreita. Aquela cultura emula assim um tipo de substância que não esta afim de comunidade, apesar de todo o apelo televisivo da forma-relação que acontece ali, ainda é cada um por si, a cena da luta ainda repete a representação do herói, não é a comunidade que se ajunta para combater o incomodo e o maul estar, mas o rejúbilo da honra do herói, do estatuto da arte como pilar principal do status quo. Assim, até o próprio corpo demostra a diferença, claramente entre os dois amigos, o esquálido e esmilinguido cris tucker, e o corpulento ursolino do ice cube, com o supino frente a casa. A varanda forma o palco, onde a tela sao a vizinhança, não havendo assim o retorno do herói para a libertação daquela comunidade, mas somente seu êxtase, o de "sair" e não ser capturado pela ritual também dizendo. Afinal, por mais que a montagem tente imputar esse modos operandi, desse encontro com o fim comum, a própria estética televisiva, a força desse ressurgimento e consolidação do herói ainda prevalece. Sendo assim, o êxtase da comunidade vem de forma mais fenomênica do que metafenomenica, demonstrando agora, que não pertencemos a uma real metafísica, mas a uma physica pôs newtoniana, da gravidade agora como principal força para que esse corpos não caiam mais, e continuem a flutuar, a outras dimensões inclusive. Vaudeville. A possibilidade que fica desse herói na realidade ser um anti-herói, ou seja, de reafirmar e ensimesmar é a falta de continuidade entre esses blocos de cena, por mais mecânicas e travadas que sejam, é perceptível a vontade do artista em superar a natureza, tanto para o bem quanto para o maul, e nesse caso aqui, é sempre o espectador que impõem o didatismo a obra, e nunca ela a nós; enfim o Estado somos nos mesmos, da política que precisa ser separada da técnica, para pôr fim a perenidade desses heróis conservadores, ou da singela mudança de peripatéticos a simpateticos.
Referências
L.H.O.O.Q.: O estatuto de arte explorado por Marcel Duchamp. Renan Archer et al.
A Caosmose de Félix Guattari: paradigma estético, criação política e filosofia. Vladimir Lima.
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