Evangelion: 2.0 You Can (Not) Advance, 2009.

Hideaki Anno.

"Na história, a quantidade (estrutura econômica) torna-se qualidade porque se torna instrumento de ação na mão dos homens, dos homens que não contam apenas por seu peso, por sua estatura, pela energia mecânica que podem desenvolver a partir de seus músculos e nervos, mas contam sobretudo porque são espírito, na medida em que sofrem, compreendem, gozam, querem ou negam (...) Afirmar, sem mediações, que as Constituições políticas dependem da estrutura econômica, etc., não é um fato doutrinário, mas sim a tentativa de criar uma certa mentalidade que dirija a ação mais numa direção do que em outra." - Gramsci.

"Como já observado, existe ainda hoje uma atualidade no pensamento de Heidegger como naquele de Nietzsche, e essa atualidade consiste em sua própria profundidade reacionária, e não naquilo que gostaríamos que tivessem dito e que frequentemente colocamos em suas bocas. Ambos, e bem antes de Adorno e Horkheimer, nos ensinaram a colher a dimensão agressiva e até exterminadora que o iluminismo e os ideais universalistas modernos podem assumir, quando esse patrimônio em si positivo – a confiança na razão, os valores humanitários e pacifistas, os direitos do homem – é distorcido ou empregado de maneira instrumental." - Azzarà.

Elevação só se faz através da política, platonicamente falando, é com o movimento de retorno ao outro que se constrói espirito, e assim movimento humano. Enquanto maquinas, somos apenas exosqueletos pertencentes cineticamente a uma entidade em sua operação metafisica. Nenhum um problema até a técnica, a ordenação dessa entidade em micropoderes que substituam o dogma pela ortodoxia, a necessidade de generalização e inexistência, classificando pela existência com fundação e estrutura respectivamente. Não somente uma base, mas a necessidade de todo um sistema que faça com que as forças operem de forma extremante estética, quero dizer com isso de esconder a ideologia pelas energias que comandam esse sistema no seu inconsciente. Oras a organização não pode se dar conscientemente, pois é, segundo Sêneca, o lugar da questão, onde se aponta e se afia as ferramentas, a técnica afinal. Lugar também onde se destitui a mecânica, por esta apartada da inconsciência, é nessa confluência, na força que mostrará não somente seu despreparo para lidar com a política, mas também com essa energia, que não é força ainda. Seria necessária essa busca pelo cainho do meio como forma de aperrear, não o que ficou apartado, que se descola, mas assumir a metafísica a qual foi inserido, mas também não como aceitação gratuita, e sim com questionamento assíduo e inquieto. Ato filosófico não é conservação, reacionarismo, esse inconsciente que criará um duplo, transformando a mudança em apenas cíclicos devires, figuras de linguagem e pequenas logicas, eis o movimento de rompimento. O avanço do título se dá assim com a contradição da não aceitação e as burocracias que surgirão da revolução. Ou seja, a cultura que assume o corpo, sendo ele apenas uma armadura com técnicas que mesmo o usuário não é capaz de prever, o deixando a mercê do utilitarismo servil, discernindo da metafísica, que o material que constrói esses seres que tanto combatem quanto os que são combatidos, da dialética como apriori sendo um movimento necessariamente ceticista e generalista-dogmático.

Referências

Trotsky, Gramsci e a Teoria da Revolução Permanente.  José Bezerra.

Heidegger “inocente”: um exorcismo da esquerda pós-moderna. Stefano Azarrà.

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