Dunkirk, 2017.
Christopher Nolan.
"O que me surpreende, em nossa sociedade, é que a arte se relacione apenas com objetos e não com indivíduos ou a vida; e que também seja um domínio especializado, um domínio de peritos, que são os artistas. Mas a vida de todo indivíduo não poderia ser uma obra de arte? Por que uma mesa ou uma casa são objetos de arte, mas nossas vidas não?" - Foucault.
“em que ele censura vivamente seus alunos por terem vindo somente para aprender filosofia, para aprender a discutir, para aprender a arte dos silogismos” - Epiteto
Sobre as coligações dos planos, de como eles conversam sem existir este fora de quadro, não de maneira prática, obvio cinema não se faz sem o que esta fora, principalmente, mas digo teoricamente os planos narram e tomam consequências sem uma força que o rodeia, exaurindo ou consolidando-o. As coisas/abstrações se darão superficialmente, por esses enquadramentos que isolam o que é mostrado de maneira sensacional. A grandiosidade dos eventos manipula em conjunto o drama que contraditoriamente não existe. E aqui falamos em teoria novamente, pois esse drama esta para o agora e não para além, ou seja, o filme se interessa pela experiência somente do presente, o que orientalistas deveriam ovacionar, se é que assistem a filmes como esse, pois são seres melindrosos, não enfrentam seus inimigos, como apolíticos preferem o fugir ao enfrentar. Obra que irá assim se sustentar nessa confluência de forças, se elevará pela falta de política existente no seu fora de quadro, afinal sabemos que alemãs eram os tais vilões da guerra, como monstruosos maniqueístas, comandam o próprio quadro através do sem querer querendo de nossos protagonistas. Filme extremo pelo equilíbrio de seu sofisma devirginal fabricado em laboratório, seu mindset assim falando, perigoso ao simular a lógica de redes sociais, ao lidarmos somente com nossos pares, uma ciência acadêmica estritamente, rostidade como epitáfio de alpinistas sociais. A sensação que domina o plano assim não constrói sentido e significado por estar lotada de si mesmo, de redundâncias que não são capazes de construir hiperparabólicas que retiram do agora-plano sua energia em troca com esse fora sitiado se e somente se pelos nazistas. Curioso como a salvação vem assim pelo mar, por veleiros que vem da Inglaterra, sem antes sermos geograficamente situados, pois é a contradição do existir que opera esse exterior histórico, afinal estamos microscopicamente travados naquele refluxo de energia, de traumas que matematicamente não podem se tornar experiências ruins, pois estão na mesa da ciência sendo positivados. Se no cinema do Friedkin analisado anteriormente essa microscopia se torna algo a ser questionado, aqui ela é ferramenta para controlar as emoções, dá-la inteligência que não interfira na obra, na humanidade que se sobrepõem a natureza. Ao se propor antiguerra, ao cultivar esse maniqueísmo, eleva o mal a outra potência, agora não mais cabível os sentidos comuns. Filme tipicamente americano. Engraçado e curioso assim o gosto de certos "comunistas" pelos filmes do Nolan, fundamentando a lógica do mercado stalinista. Oras, força que esta salvando nosso planeta de mais uma grande guerra, ao levá-la ao estado sublime de disputas pelo Dinheiro, e não mais pela destruição desse outro, já classificado assim que é impedido de participar do plano.
Referencias.
Estoicismo imperial e estética da existência em hermenêutica do sujeito, de Mcihael Foucault. - Ronald Sampaio
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