3x Friedkin.
Poesia da politica, politica da poesia, nova dicotomia metaforizada pelo atomismo, pela in-diferença e a isenção ao outro, estamos atrás de nos mesmos, de pleonasmos que nos revolvam, tecnocratas remanejando a mecânica, por supostamente nova biologia, nova técnica, obviamente sem humanismo antes. Através de competição e esquecimento. Eterno Progresso do mesmo. O close talvez nos salve, nos classifique para que a posteridade nos entenda, de uma face gritante e abismal, passando pelo sorrisso da loucura, enfim a fadiga amarga.
“De acordo com o mesmo plano que nos fez adequar nossas instituições artificiais à natureza, e apelando à ajuda de seus infalíveis e poderosos instintos para fortalecer as débeis e frágeis invenções de nossa razão, derivamos diversos outros benefícios, e não certamente pequenos, do fato de considerarmos nossas liberdades à luz da herança. [...] Fazemos respeitar nossas instituições civis segundo o princípio pelo qual a natureza nos ensina a reverenciar os indivíduos, isto é, de acordo com a idade deles e daqueles de quem descendem. Nenhum dos sofistas de seu país poderá inventar algo mais bem adaptado a preservar uma liberdade racional e viril do que o caminho que adotamos, procurando seguir a natureza ao invés de nossas especulações, nossos sentimentos ao invés de nossas invenções, e fazendo deles a salvaguarda e o depósito de nossos direitos e privilégios” - Burke.
O capitalismo [...] não tem nenhum limite exterior, ele consumiu a vida e a inteligência biológica para criar uma nova vida e um novo plano de inteligência, vasto para além da antecipação humana. O Miserabilista Transcendental tem um direito inalienável de estar entediado, claro. Chamar isso de novo? Ainda não é nada além de mudança. - Land.
“a liberdade como fenômeno político nasceu com as cidades-Estado gregas. Desde Heródoto, ela foi entendida como uma forma de organização política em que os cidadãos viviam juntos na condição de não dominação, sem divisão entre dominantes e dominados. Essa noção de não domínio se expressava na palavra “isonomia”, cuja principal característica entre as formas de governo, tais como foram enumeradas pelos antigos, consistia na ausência completa da noção de domínio. A polis seria uma isonomia, não uma democracia” - Arendt.
The french connection, 1971.
A mecânica está na palma da mão, não como uma técnica ou ferramenta, mas como uma pequena lógica que esta também no todo. Uma parte assim do abstrato pode ser tateado por cada um, mesmo que naturalizado e habituado, oras mecanicamente falando, o todo que esta também no nada no seu diametralmente oposto. Contraditoriamente esse nada é, na verdade, um reflexo desse todo, não esta vazio mas preenchido, ou como se um refletisse no outro, não importando a ordem dos fatores, um devir. Que o sistema não funciona, é uma falácia, por assim dizer, já que essa roda está a girar, as coisas acontecem em consequência, transações são feitas, culminando em perseguições, o sistema está dado, por caótico que seja, essa sua aceleração confusa é justamente por manter uma base que o reflexiona. A natureza se põem assim como o problema, se a técnica não esta realmente conosco ao nosso serviço, mas a serviço disso que esta sendo passivamente refletido pelo fundamento do qual não está aí, nos pondo a refém de profissionais, conceituando resumidamente como perscrutadores dessa técnica-ferramenta, que deveria se por no lugar da mecânica, materializada pela inércia desse sistema que aparentemente, segundo o frio analista, não funciona. A anarquia contraditoriamente assume as relações, do trabalho prostituído pela busca tecnocrata do fáscio, de transformar o que é mais fundamental em comum, a serviço, superfície para todos, isso enquanto não se pensa economia. E economia como processo revolucionário, e não conservador. Assim o problema não está na tecnologia que criará os gêneros, as formas da superfície a qual tateamos em conjunto com a arte, sua busca deve ser incentivada, digo não da forma e no sentido desse mesmo devir que nos atropela, trocar a mecânica a qual já temos nasciencia, pela techne do grego, embora a síntese não seja de bom grado a esses que conservam a antiguidade natural das energias, é a síntese, o momento do nódulo do ir e vir, citadino aqui nessa conexão francesa, que irá nos encaminhar para o reconhecimento das máquinas. Por essas contas o amargor perdura, a perseguição sempre finaliza com o ar seco e gélido da nova iorque, o ar que desce, esse que não foi analisado e posto em evidência pelos estoicos.
Rampage, 1987.
O didático é a principal forma de imperializar o outro, não apenas colonizá-lo, exaurir seus recursos, mas deixá-lo a ser. A ideia de consumir o outro como ultrapassada, é necessário mantê-lo mal ou bem para que essa exaustão nunca seja consumida, mas mantida com direitos e liberdades. O masculino que prevalece e assume o fenômeno, para que a côrte faça assim seu veredito. O que não é visto é assim transformado em válvula de escape para que essa razão pura nunca se extingue. Ela criara assim novos devires, é o equilíbrio, a união de forças entre si mesma e desse esquecimento da intuição. Os momentos em que o filme se resolve de forma mecânica, de dar ao espectador sua falsa contribuição a obra, ao digeri-la com facilidades, levando a projeção ao seu estado de agonia, ao mesmo passo que relaxamento, do rosto frio, azulado com peseudociencia condizentes com a arte, mais o corpo em chamas, na vermelhidão, como se não correspondesse um ao outro. Dessa mecânica não consiste em técnica. A intuição é assim o carro chefe, do porão que resolve o problema ao reduzir o monstro a política austera, ao relógio cronometrando os closes, e as imagens que assumem e fundam aquela subconsciência imitativa. Da mimese tendo por fim o darwinismo social, da cultura que cria e destrói seus próprios algozes, não tendo assim uma forma de cura, mas sempre a remediação falha. De ato falho, do movimento que surge assim em conjunto com o que não é estudado, justamente pela facilidade que se encontram tais planos, da dicotomia como dito, bem condizente com o que foi mostrado e o que irá aparecer, tornando-nos futurólogos ad aeternum ao plano. Memoria-mecânica de músculos sem elasticidade e vicissitudes, a insanidade é legalizada pelo sensível comum de dramas que se isolam, subjetivos que terrivelmente não conseguem se comunicar pelo mantenimento de uma síntese que já se tornou devir em algum momento que não interessa aqui, mas aos fatos das quebras de produtoras, adiando e reconstruindo o pensamento, destoando a cinefilia advogando pelo fim da arte.
Blue chips, 1994.
Atomização que nos leva a fascilidade de julgar o outro, quanto mais microscópica for a disputa de forças, menos politizada ela poderá ser. Digo isso, pois menos empírica também se torna, é necessário dupla visão para que esse sub-julgar possa ser utilizado de forma mais pura e positiva. A pureza aqui é tamanha que a mais das forças que iniciaram esse embate não pode ser realizada, sempre será continuada com algum resquício, alguma sujeira moralmente falando, afinal o positivo nunca se suspende por si mesmo, pleonasticamente falando, e por fim a cultura lhe ditará seu aspecto, sua estética moral inclusive. A ética só caberá assim por meio das dores, das experiências ruins que nos põem a beira do abismo, diante das verdades não factuais, importante se dizer. Não factuais, pois a humanidade não é afeita ao presente, mesmo o que perdura através dos tempos, historia, mas a verdade, profusão criativa, de saltos sobre esses fatos aos quais insistem em tragar-nos. A política que fica para os fatos, ao que é estritamente material, se não é fenômeno, ou seja, existir e não-ser, não interessa a sociedade e, portanto, as obras de arte a qual participa. A intuição é nessa soma mais bem quista, por perdurar essa pureza, a pedagoga divorciada já sabe de antemão o poder dos fatos que assolam aquelas relações, apesar da racionalidade ainda dá ar da graça, e se enganar de alguma mudança real, a não ser aquela que a intuição resguarda com parcimônia feminina da moralidade. Não há espaço para ética, mas jogos com regras supostamente bem delineadas, fenomenologia é, por assim dizer, fenomemenologia, um chiste que sintetiza a Piada, não podendo nunca se tornar verdade, pois confiscada pelos hábitos só lhe resta a reação, isso que não pertence mais ao ser, abafado pela moeda, pelo cinema, pela mercadoria em estado sublime.
Referências
Edmund Burke e a gênese do conservadorismo. Jamerson de Souza.
https://www.professores.uff.br/ricardobasbaum/wp-content/uploads/sites/164/2020/09/Brasier_Mackay_00-Introdução-dos-Editores.pdf - Robin Mackay.
Direito e filosofia politica em Platão e Aristóteles. - Flavio Pansieri et al.
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