'Til madness do us a part, 2013.
Wang Bing.
"nos tempos pré‐históricos, a transmissão dos elementos culturais foi quase ilimitada. Invenções e ideias transpuseram distâncias que abrangem continentes inteiros. Como exemplo(...)pode‐se mencionar a História Moderna de algumas plantas cultivadas. O tabaco foi introduzido na África depois da descoberta da América; a planta levou pouco tempo para espalhar se por todo o continente, tendo penetrado tão profundamente na cultura do negro que ninguém suspeitaria de sua origem estrangeira. A banana já está presente em quase toda a América do Sul. A história do milho indígena é outro exemplo da incrível rapidez com que uma aquisição cultural útil pode se espalhar por todo o mundo." - Boas.
"Trata-se de unir o demiurgo à Sophia. A atitude da consciência em face de ABRAXAS não é a da simples contemplação ou veneração; mas a do temor, da reverência e da prudência. Não se deve resistir a ABRAXAS, porque ele representa o poder da Natureza, a aceitação do inconsciente, a permeabilidade entre a repressão e a servidão, pois na verdade nada acrescentamos nem subtraímos. Em suma, o 3o Sermão nos coloca diante da tarefa de projetarmos nossa alma para fora e para dentro, introjetando o arquétipo de Deus dentro de nós." - Cardoso.
Assumir como principio da superação, superar como definição de destruição. Do novo que vem em consequência dessa destruição, e não como um completo niilismo, mas se e somente se, na matemática do movimento, desse deixar para trás o que ainda perdura, como memoria-questionamento, como contradição; se sobrepor como continuidade, sem arrependimentos. Não existe assim um fora, mas um percorrer em retorno, o que foi sobrepujado acumula, hiperbólica progressão. Como para Bing não há assim um fora, por mais que vejamos outros prédios ao redor daquele presidio, e os fogos de artifício do ano novo, o que importa é que eles ajudam a compor o quadro, mas não o formam como universalidade. Por isso superar ser um tamanho problema como o ecônomo esquecedor da filosofia nos impõe. O realismo empirista bate a sua porta freneticamente e invade sua casa, para que a metafísica esquizoide tome rumos mais retilíneos, de uma escoliose para uma cifose. A transformação está dada, sem uma equiparação, como estudar magia sem o senso critico da ciência, das mircoforças que compõem uma cultura. A dialética também está dada, assumir a loucura na busca desse pairar, algo que flutua e sobrevoa os seres, inúmeros por sinal, até que se acostumem com aquele aparato. A câmera que segue e persegue esses seres é assim, tanto máquina quanto humana, por vezes admirada por esses entes a qual filma, não somente por fitarem-na diretamente, mas por se habituarem acostumando-se com ela, aceitando-a. Como a estética do vencedor imposta a nos, em que assumi-nos muitas vezes como relaxamento e completude, e não como uma oposição, uma criação de novo de devir que imponha o perdido sobre o vencedor, apesar da luta sempre ser travada e buscada nesse sentido. Como no momento em que saímos do local já famigerado a nos, e a câmera ao tentar se adaptar nesse novo ambiente quase consegue se filar ao ser, se ele não fosse tão peripatético, ela, a câmera, desisti, abandona-o, voltamos ao cuadraticu, a progressiva lógica. Esse lugar acostumado a nos é assim a casa, a redoma metafisica, a qual chegamos de certa forma ao pensamento: e se não é por mal e bem, ainda um abrigo aqueles que estão perdidos, ou inadequados como mostrar o letreiro final? O útil da representação estoica é assim: degenerar o que esta já na imagética do povo, o tal senso comum repudiado pela aristocracia dos sabiosos, para adentrar na religiosidade cética das culturas pitagóricas da numerologia, inúmeros seres se enxergando num único ponto, da câmera exaurida pela reflexão entre eles. Ou quando essa subconsciência se expande e abrange, como num movimento terremoto, engolindo a consciência, e expulsando em consequência a autoconsciência, não a expurgando, mas transformando ela num satélite artificial; enfim, superar é reconhecer, antes de tudo, aquele mal em ti. Ou ainda e mais uma vez, do tão antigo ato de espiar. Empatia.
Referencias
Da magia a razão: ponderações sócio-antropológicas acerca dos vínculos históricos entre homens, substancias psicoativas e civilizações. Wagner Lira.
As bases gnósticas do pensamento de Jung. Heloisa Cardoso.
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