The family game, 1983.
Yoshimitsu Morita.
"Converter em entidades transcendentes, que estão nas práticas da relação entre essência e existência, as construções a que a ciência deve recorrer, para dar a razão dos conjuntos estruturados e significativos que a acumulação de inumeráveis ações históricas produz, é reduzir a história a um 'processo sem sujeito' e substituir, simplesmente, o 'sujeito criador' do subjetivismo por um autômato subjugado pelas leis mortas de uma história da natureza. Essa visão imanentista que faz da estrutura, Capital ou Modo de produção, uma entelecheia se desenvolvendo ela mesma num processo de auto-realização, reduz os agentes históricos ao papel de suportes (Träger) da estrutura e, suas ações, a simples manifestações epifenomenais do poder que pertence à estrutura de se desenvolver segundo suas próprias leis, e de determinar ou sobredeterminar outras estruturas." - Bordieu.
"Não é necessário acrescentar que, quando a inferência indutiva é de qualquer natureza, exceto a mais direta e óbvia - quando exige várias observações e experiências em condições diversas e suas comparações - é impossível prosseguir um passo sem a memória artificial das palavras." - Mill
As vicissitudes do plano não esta para o seu escalonamento quadrático; os corpos se arranjam e rearranjam na superfície do quadro, formando camadas e dimensões que conversam entre si de forma infindável. A gramática é esse quadrante que tanto planifica e superficializa as forças que contem, quanto as normatiza, para que essas regras também possam ser quebradas. É a escola e o sistema pedagógico que irá conformar a família e as pessoas nesse quadrilátero, como o próprio formato de exibição escolhido aqui, enclausurante e claustrofóbico. A tentativa de se desprender desse fascismo vem assim de um tutor que mais parece um mafioso do que professor mesmo. Dando assim mais uma camada de ambiguidade a trama, e a equiparação e competição entre os filhos como única forma de progresso. O lar se equivale também a essa quadratura, da metafísica que se porta como dogma intransponível, a janta é sempre um espaço para embate, e a lateralidade como esse espaço é montado, sua teatralidade só demonstra a capacidade de que o devir tem de ser fasciomente captado, tanto no relaxamento dos músculos quanto em sua tensão, e assim as elípticas fazem necessárias para que a sinuca não se de, apesar ainda das arestas e cantos que se formam, como recalques obsoletos. Triângulos esquecidos servem assim como uma segunda extensão desse aparato formado pela dicotomia naturalizada ali. O fluxo é então medido pelo progresso, só há manifestação de algo, se ele é captado por esse escalonamento quadrado, das acumulações que somente se portam ao empírico. Que a exaustão consuma essas falsas mudanças, para novas doenças se alastrem na psique. A abstração só pode se dar assim pelo que consegue escapulir desse ciclo de reordenação sem um certo dogma, embora a ortodoxia, os resquícios, e o que sobra para fora da dicotomia metafisica-devir, está em suporte a essa própria logica que o exorciza, exauri a matéria. Afinal a sociedade só se pode erguer através de positivismos que se igualem a economia do espaço-tempo.
Referências
Stuart Mill: O empirismo e o problema para fundamentação da matemática. Antônio Francisco.
O método dialético e a análise do real. Luiz Zago.
Comentários
Postar um comentário