S.Bernardo, 1972.
Leon Hirszman.
"1. As origens: Zenão, os sofistas e Sócrates. – Aristóteles atribui o emprego mais antigo da dialética a Zenão de Eleia. E, de fato, todos os paradoxos de Zenão manifestam um caráter genuinamente dialético: o da reviravolta, da negação do que é assumido como verdadeiro, na experiência imediata, negação esta baseada no pensamento conceitual. Ao apontar as contradições envolvidas na assunção da pluralidade e do movimento dos entes, Zenão busca conduzir o pensamento à improvável (paradoxal) verdade de seu mestre Parmênides, segundo a qual o ser é uno e destituído de movimento. Assim, desde sua origem histórica, a dialética envolve a negação, na forma de uma ruptura com a imediatidade da experiência: o caráter negativo do pensamento como o caminho para a verdade, o conceito como a forma do real, o mundo conceitual (inteligível) como o único mundo verdadeiro." - Herbert Marcuse.
"a palavra ‘antropologia’ designa, por um lado, um pensamento essencialista que separa o homem dos seres vivos e, por outro, um pensamento que reduz a técnica a seu uso pelo homem e portanto ao que Simondon nomeia ‘paradigma do trabalho’." - Barthélémy.
Equilíbrio como norma e produção de uma nova radicalidade, a depender da dimensão a qual nos aportamos. Mesmo com a tentativa de exaurir a imagem com a narração, e as forças que permanecem no quadro a revoar com esses assopros, ao empurrar atores para cantos, a geometria se faz muito mais aritmética e não euclidiana do que imaginativa e especulação que não dão cabo da realidade, até por uma falta de entendimento das figuras cênicas que se formam. Um close é assim desconcertante quando embutido no semblante do trabalhador, e para que seja resolvido no rosto do senhor de maneira desconcertante, a produzir amarguras. O azedume dessa relação nunca se dá, pois a revolta é logo suprimida por essa onisciência. Nos resta é mais relação entre o personagem e essa supra consciência lapidando o plano, o desgastando tanto para o bem quanto para o maul, o equilibro afinal. Por isso também cinema ser mito mais revelador sobre as maquinações que ocorrem na tela, por mais musicado e insistido nas sensações em vários momentos, como esse do close, o interesse logo se revela pela imagem, do controle e do amarrar das pontas, da ideia de obra-prima, talvez. A ciência que surge do Platão de Aristóteles é essa energia que complexifica o ato, galgando ele para se apoderar da potência, tamanha noção do cinema, de nos por de encontro direto com a máquina que organiza a matéria, das mecânicas das atuações, pelo pontilhar dos sons, da música. A política se espreme em mera dicotomia, não como uma busca pelo Bem, mas a necessidade e preencher buracos, vazios, que façam a Ideia ser amarrada, da arte como pura técnica in-successo do Ato filosófico; restando aos rostos dos trabalhadores muito pouco tempo de tela, mas suficientes para serem documentados e classificados pela ferramenta que os assassina ao passo que os sustem. Portanto, a relação que surge entre ciência e sociedade é sempre perniciosa, se é do senhor a poesia, o escravo só pode ser mediúnico, se tornar também ferramenta, única revolução cabível a ele, dialetizar com seu algoz, como num dos poucos movimentos que a câmera toma aqui, molieresco.
Referencias
A historia da dialética. Herbert Marcuse.
Crítica da técnica, crítica da filosofia: Heidegger e Simondon. Fernando Fragozo.
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