Rules of engament, 2000.
William Friedkin.
O comum e a realidade como norma de conduta. A realidade como inquestionável, mesmo que os aparelhos confirmem fatos que não aparecem na narrativa mais direta por pertencer ao subjetivo dos personagens, a força que rege a projeção. Ambíguo como o fato estar detido pelos homens do governo. Uma fita VHS de câmera de segurança ditará as regras desse jogo. Guerras se tornando mais frias, para passarem a um hibridismo, mesmo que ainda tenha uma predileção do diretor pela escatologia, ele sabe muito bem que o conflito direto esta se esvaindo, e tudo pertence agora ao clássico da ferramenta opositora, campo contracampo. O que seria uma vida sem essa dicotomia, sem dualidade? A adiletica assume uma posição a priori da antidialetica, a negação nunca vem primeiro, mas uma falta, para assim se afirma duplamente, esse ser que presentifica, o plano, no caso fílmico. O que seria o devir sem essa forma primeva dupla, da biologia antes de ser ciência, como mover algo e deixá-lo em fluxo sem um motor que se fundamenta em contradições? Precisamos diferenciar aqui o duplo do dual, enquanto o primeiro assume geralmente o mesmo lado de uma força, o segundo é sempre a oposição: A roda que não foi inventada, mas sempre esteve lá, inata, porem fenomenologicamente, criada, tecnicizada. Problema muito questionado ultimamente pelos modernos são exatamente essa essência, ou fenômeno que ira se opor a uma vida politica, trazendo a estética para dentro do campo da ética, do comportamento que perde sem lastro para se tornar estritamente governado por essa imagem que falta. Por isso ser um filme tao comum, desse que passa desapercebido mesmo, inclusive ao trazer o combate para o campo da palavra, da oratória, a técnica passa a ser outra, a ferramenta é a voz da imagem aqui. A duplicidade de significados que um personagem como o advogado do próprio governo impõe com sua presença esguia, e, ao mesmo tempo, respeitosa das tradições. A resolução disso tudo acaba sendo a afirmação, por uma falta de saída à imaginação, retida pela figura do político, e seu corpo de diplomacia, da guerra que é sempre pratica das minorias espiritualmente falando, para se dar na maioria, numa dimensão que forma uma trama imagética, que irá recuperar esse aporte da essência. Entendimento que se da somente pela investigação dessas imagens que faltam, do cinema em si inteligível pelo diretor como algo intransponível.
Referências
A ontologia do devir de Gilles Deleuze. Jorge Vasconcellos
Esquecimento e memoria: "A imagem de Proust", de Walter Benjamin. Jorge de Freitas.
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