Mortuary, 2005.

Tobe Hooper.

"Em um único ato soberbo nomeamos algo que não inventamos, mas é o centro de nossas atenções: patrimônio. Tal ato nos coloca na situação transcendente de um criador (DUFRENNE, 1969). A comunicação dessa bela palavra reclama o pensar. Para quem a pronuncia ou a escuta, essa palavra somente existe pelo seu sentido, ela é a própria coisa que designa. Assim sendo, ela possui uma materialidade, um sabor que pode ser degustado. Ao invocarmos a palavra patrimônio, conclamamos  o  sentimento  de  sua  presença.  Sentimos  nascer  um  germe de vida e uma aurora crescente (BACHELARD, 2009)."  - Teixeira-da-Silva.

"Na verdade, uma leitura do livro V da Ética a Nicômaco(2001) deixa bem claro que, de fato, Aristóteles coloca o problema da troca, mas não o resolve, apenas entrevê a solução do problema; “haverá, portanto, reciprocidade quando os termos da proporção forem igualizados, de tal forma”, diz Aristóteles (Ética a Nicomaco, 1133a/b) “que o valor do trabalho do sapateiro esteja para o valor do trabalho do fazendeiro com quem a permuta é feita assim como o fazendeiro está para o sapateiro”. Marx pretende, portanto, resolver de uma vez por todas o problema que, segundo ele, foi analisado primeiramente por Aristóteles, mas não resolvido em razão das condições da época; “o gênio de Aristóteles resplandece justamente em que ele descobre uma relação de igualdade na expressão de valor das mercadorias. Somente as limitações históricas da sociedade, na qual ele viveu”, diz Marx (1983, p.62), “o impediram de descobrir em que consiste “em verdade” essa relação de igualdade”. - Vicente.

Para que serve a sutileza? A triangulação que a arte projeta não serve para escamotear e velar mais as relações? Uma vida na estética, que engole a ética e a faz vilã. O ato reflexivo se torna algo aristocrático, a poucos, e não só em seu sentido materialista, aristocracia anímica, dessas buscas por espírito. Tornando a outra sempre materialista, sempre uma toga, uma representação fenomênica. A terra e seus devaneios da vontade, ela quem emana as forças e as regularidades das relações, se naquele lugar só nasce batata, terei que me dobrar e adaptar aquele tubérculo. O movimento e o ato são assim expressões surreais e nunca factuais, separando sempre a verdade do que é factível pelos limitados cinco sentidos. Não sendo estoico ou nietzschiano, mas corriqueiramente cético, desse que admitem a religião, a fé, o dogmatismo, enfim o acreditar antes de tudo, e não o cético dado pelo senso comum capitalista, que vem da antiguidade, no próprio surgimento do pirronismo, corroborando assim com a revelação de que nosso sistema econômico de hoje já nasceu tardio. Entramos no destino, o que está premeditado pela inconsciência da terra, e faz emanar assim o que se tem melhor ao momento captado: equisiste um tempo insuperável. Da distância entre entidades que não se conversam mais de forma direta, mas indireta pelo viés da subconsciência, dos totens da lógica aríete. Essa vontade que emana da terra não é assim desejo, mas construção social desse fato que perdura um certo automatismo no âmago dos seres. Sempre no plural, pois o que perdura precisa ser múltiplo, repetido inúmeras vezes, o erro, do dinheiro como os zeros a esquerda, e não os zeros a direita como muitos ortodoxos do espectro da esquerda entendem. A política só pode se dar platonicamente falando, como um entendimento mutuo desse destino místico que vos levam, e não como materialidade, não pode ser somente essa batata que se alastra impedindo que outras coisas possam ser plantadas, a mãe é em si reacionária, e reconstrói corpos com intuito de afastar a potência ao retorno desse Ato, do vulto do Pai. A terra só quer nos engolir, nos impedir de adquirir algo que não seja sua própria projeção, assim como entenderam os primórdios da filosofia; a terra nunca foi predileção dos primeiros pensadores, mas a água e o ar. A lógica existente nessa natureza é imutável e deve seguir o sabor da dialética humana, para não permanecemos presos ao empreendedorismo. Se mercado é combate, como muitos realistas-moderados insistem, a mercadoria é a própria autodefesa psíquica.

Referencias

Ontologia poética do patrimônio. e os devaneios da vontade. Rafael Teixeira-da-Silva.

Uma leitura filosófica do conceito de mercadoria. Jose Vicente.

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