Infinito Ábaco, 2022.

Bruno Lisboa.

"O caos que fora eliminado da teologia da “criação” a partir do “nada” reapareceu sob uma nova forma. Este nada sempre estivera presente em Deus, não estava fora Dele, nem fora suscitado por Ele. É este abismo dentro de Deus, coexistindo com Sua infinita plenitude, que foi transposto na Criação, e a doutrina cabalística do Deus que habita “nas profundezas do nada”, corrente desde o século XIII, exprime este sentimento numa imagem que é tanto mais notável quanto foi desenvolvida a partir de um conceito tão abstrato." - Scholem. 

E, assim, é de se perguntar como é, afinal, que a teologia, diante desta diferença absoluta em relação  à  filosofia, se relaciona com ela.  Sem mais, desta tese resulta que a teologia, enquanto ciência positiva, está por princípio mais próxima da química e da matemática do que da filosofia. - Heideguere.

O tempo de corte necessário para se construir a organização de cena é tão precioso quanto a montagem que se segue nos entornos da obra. Dividindo o tempo em partes, temos essa melhor noção por onde o tempo adentra e se classifica, ao passo que também ordena o restante. Se a obra permite com que o tempo escoe por entre seus blocos, sua fundação, a transição entre os mundos ocorre de maneira satisfatória. A quebra do próprio tempo, pulsação, se faz e se constrói nesse sentido, algo premeditado que é o cerne, ou melhor, o princípio do próprio filme que já demonstrava, pois somos antes torturados por imagens terceiras e informações duvidosas que por vezes o próprio personagem não consegue se afirmar. Os rodopios são tanto, como o jogo de espelhos no banheiro, as comparações entre etnias e culturas mais parecem forçar uma Piada do que qualquer outra coisa. Piada com maiúscula, pois é justamente o salto comunicativo que ocorre aqui, deixamos a mídia comum que assola tanto nosso povo para irmos para um nível acima de transmissão, o cinema em si. Por mais que se construa neoacademias que abarquem essas forças marginais que parecem mais rodopiar do que traçar uma vontade, afinal estamos mais próximo do experimental do que o clássico, por isso o sentido não está tão evidente, elas se mostram afeminadas pela estética a qual a busca leva o personagens, o tema aqui; O pai como pretexto para se fazer tudo, inclusive se encontrar com entidades em encruzilhadas. Esse fechamento da primeira parte é bem precisa para que as forças continuem a rodopiar nos limites do plano, se é que podemos falar em um aqui. A imagem esta lá, claro, mas o significado não esta aparente, esotérico e classicista inclusive, a ferramenta de conta é chamariz para essa separação do joio e do trigo. Os argumentos que criam assim para que o governo dessas imagens se deem é simplório, pois não tantos são sensações que estão em jogo aqui, mesmo que a segunda parte no desafogue é mais para dar continuidade ao projeto disfarçado nesse ábaco do que entregar uma grande experiência, por isso ser um afogar de novo. A diferença que nos acomete a classificar em conjunto esse pequeno tempo, timing, no linguajar dos piadistas é o que nos revela se esse tipo de conhecimento é ou não valido, a ciência é assim cabível a alguma forma de vida, a câmera está ali em mãos sempre.

Referências

Cabala judaica e cristã: um breve estudo comparado. Cassia Lima.

Filosofia e teologia em Heidegger. Notas sobre a conferência Fenomenologia e teologia de 1927.  Frederico Pieper. 

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