Baazigar, 1993.

Mustan Alibhai Burmawalla, Abbas Alibhai Burmawalla.

“o problema da ontologia aristotélica segue em pé: se o ser é equívoco, ou, ao menos se sua unidade depende de uma relação equívoca, como instituir, e em nome de que, um discurso único acerca do ser?” - Aubenque.

"Na historiografia, trata-se apenas de fatos históricos que podem ser conhecidos; não  coincide  com  o  que  realmente  estava  acontecendo,  (...),  a  opinião  de  que  apenas o método histórico atinge os fatos muitas vezes supõe implicitamente a pretensão  de  ser  ontologicamente  exclusiva.  Mas,  muitos  fatos  historicamente  acessíveis ainda não foram examinados; além disso, a ciência histórica nunca poderá  verificar  tudo  o  que  realmente  aconteceu.  (...)  Isso  significa  que  toda  historiografia é realmente abstrata, ou seja, destaca uma parte de um passado real; formaliza e fornece apenas imagens" - Schillebeeckx

É a magia então que rodeia esse presente-plano. Sendo magia como a não presença assim, o que constitui o plano que aparece a nos só poderá ser analisado através da Soma. Tendo a subtração como forma única de controle dessa Soma suprassumida. Supra por ser exatamente adições de força, e sumida por também conter a subtração. Essa presentificação se torna o próprio devir, afinal cinema é imagem em movimento, rompimento da fotografia: O ato que consome a própria potência. Enquanto se vangloria o sagrado e se descola essa magia disso que se dá no agora e apanha nossos sentidos, é na prestidigitação, na linguagem cinematográfica, a edição fílmica que a obra cinética se realiza; edição que não é meramente a correspondência entre enquadramentos e desenvolvimento da narrativa, mas também figuras de linguagem que servirão como falo para adentrarmos nessa dimensão da magia. Assim o sumo, e não a soma não poderá ser filosofado, pois é essa subtração que ficou apartada da magia, como uma barreira, uma burocracia, que contraditoriamente irá subtrair isso que esta fora, dando ao cinema sua principal ferramenta, o extracampo. Sendo assim esse campo alienado, tanto por deixar de ser presente, se torna uma puta, um maul, que é ao mesmo tempo, estar e cultural, formando metástases de gêneros, de formas de se contar historias. Nos iludindo com sensações quando se passa de um musical, para uma corrida por vingança, ao qual o sistema econômico entardecido em essência irá se encaixar muito bem numa cultura milenar como essa proxima procissão dos verdadeiros índios. Se esse devir infantilizado como enxergavam filósofos modernos como Hegel irá se deteriorar diante de teorias que desenvolvam moedas, ou seja, sínteses nos nódulos do devir, ao mesmo tempo que tentamos corroborar imagens recortadas diante de nossos olhos com a matéria em que vivemos. A incorporação fica evidente no nosso protagonista, shiva o domina, mas é sua virgindade, sua inocência que servirá como humor da alquimia que opera uma dicotomia maior que o ser. Por isso não é levantado aqui questões de enfrentamento, de dialética, não há reconhecimento, por conta da edição nas suas quase três horas de duração, uma vontade de se criar vínculos entre os personagens, eles se encontram e já se conhecem, estamos já em outra dimensão, onde alienados de si, se enfrentao com um sistema também alienado de suas forças. Precisaríamos dissecar e classificar a diferença entre o dogma, o modelo de onde se parte esse sistema, para a ortodoxia, a prática desses modelos, redimensionar as forças.

Refrências

Ontologia I. Luiz Hebeche.

O dogma e a revelação diante da consciência histórica moderna. Antônio Manzzato.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Antimimom Pneuma

Hilemorfismo teatral

Relações demasiadamente funcionais.