Piloto de TV + curta de Tobe Hooper.
Se a semiótica não da conta do próprio avanço técnico, resta ao que ainda é humano, ou melhor, bestial, nos trazer de volta ao eixo, não como estagnação, mas movimentos errôneos, de teorias que nascem prematuramente e são estranhadas por forças tecnológicas e anti-cósmicas. Iterando que o anti- nunca é uma negação por completo.

“nenhum obstáculo o retém e todos os sofrimentos, todos os insultos, todas as rejeições lhe são indiferentes na busca desse território invisível e prometido, desse país que não existe mas que ele traz no seu sonho e que deve realmente ser chamada de um além”. - Kristeva.

"In this paper I have started to develop a lexicon and a method for interrogating practices as constitutive of organisational and social phenomena. Using suggestions derived from different social science traditions I argued that the task can be captured by the image of “zooming in on” and “zooming out of” practice obtained through magnifying or blowing up the details of practice, switching theoretical lenses, and selective re-positioning so that certain aspects are fore-grounded and others are temporarily sent to the background. The effort should always start with a focus on practice-making and the concerted accomplishment of a real-time activity." - Nicolini.




Prey: Hungry for survival, 1998.

As corporações que assolam a sociedade, transformam as relações em feudos, onde a seleção natural se constrói mais como força estritamente cientifica e a-religiosa. Do prefixo que vem como subtração, negação de um nome, sofisma que altera a essência das coisas e as põem no estatuto da vontade. Revelado pelas tensões do campo e contracampo, que delimita o lugar-comum, a mais básica ferramenta sintática e a que mais alavancou a linguagem cinematográfica. Se o intuito da pôs modernidade é destituir a filosofia, ao religar a ciência ao logos divino do organismo universo, trazendo a materialidade ao primeiro plano, é com Tobe que as ferramentas e técnicas irão ganhar uma certa elevação: o trabalho é em si a própria mais-valia, se identificar com o outro através da ferramenta.  Ao levarmos em termos estritos a tecnologia que assume essa justa medida e nos assume como robótica e seres de pura mecânica, logo a seleção natural preparada por anos por um cientista através de muita empiria e laboratório, é de fato que chegaremos a percepção de homens elevados, a alma aristocrática enquanto esteticamente pelo fenótipo se igualam aos outros, mas que em sua carga que vai além das linguagens, criam outras consciências, outros sujeitos com subjetividades próprias. Como um piloto para série de TV que não vai ao ar, assumindo assim seu início e fim como sublime exterioridade. Corporações que estão para la da lei em efeito paralaxe.


Down friday street, 1966.

Do centro frenético de uma grande cidade para o interior bucólico onde adentramos mansões sem antes rodeá-las, encontrar frestas que diminuam sua mansidão. O zoom agora é a ferramenta, para que os recortes não se deem por montagem, mas diretamente pela câmera, numa oposição que não reflete a ação em consequência, mas para que as sobreposições dos atos nos de algum símbolo, uma nova corrida ao oeste, uma preparação para outras formas de imperialismo, através da catarse dado pela justa medida. A família resguardada pelo símbolo da casa em proporção ao zoom, a microscopia, do particular que não pode ser cientificado pela empiria. A ferramenta-trabalho em avanço técnico, que ao desconstruir esse lugar pacato habitado por fantasmas nos lança de retorno para o frenesi que nos impulsionou até aqui, mas agora ele é outro.

Referencias

Do erro de paralaxe à irrealidade cotidiana. Sandra Gonçalves.

Zooming In and Out: Studying Practices by Switching Theoretical Lenses and Trailing Connections. Davide Nicolini.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Antimimom Pneuma

Hilemorfismo teatral

Relações demasiadamente funcionais.