O vigilante, 1992.

Ozualdo Candeias.

"Mas, uma vez que os céticos abandonam as sombras e se defrontam com os mais poderosos princípios da nossa natureza – decorrentes da presença dos objetos reais – que movem nossas ações e sentimentos, seus princípios desvanecem como fumaça e equiparam o mais resoluto cético ao mesmo nível dos outros mortais." - Hume.

“Spare já havia conseguido isolar e concentrar o desejo em um símbolo que se tornou senciente e, portanto, potencialmente criativo através dos relâmpagos da vontade magnetizada. Dali, parece, levou o processo um passo adiante. Sua fórmula de ‘atividade paranóico-crítica’ é um desenvolvimento do conceito primordial (africano) do fetiche, e é instrutivo comparar a teoria de Spare de ‘sensação visualizada’ com a definição de Dali de pintura como ‘fotografia colorida feita à mão de irracionalidade concreta’. A sensação é essencialmente irracional, e sua delineação em forma gráfica (“fotografia a cores feita à mão”) é idêntica ao método de Spare de “sensação visualizada”.” - Grant.

Doença que acomete é senão uma trajetória dada pelo ser social, e não somente o individuo? Se não é sociabilidade, então estaríamos diante duma natureza implacável que não nos quer aqui, se sim, é perceptível que a cultura que cria a própria diferença que será rejeitada é em si in-diferente, ou seja, possui a diferença antes de despossuí-la, geri-la. O que ocorre como movimento retilíneo-uniforme não se pode aperceber como um ciclo, afinal não é comum estarmos quantificando, a quântica, de cada traço do Ato. Potencia assim se confunde ao poder no momento em que não estamos dialetizando nada, sendo a dialética esse progresso em quantidade, onde não conseguimos qualificá-la. Não valendo de nada, a dialética deixa de ser ferramenta e passa ser tanto mola propulsora, quanto válvula de escape; no primeiro caso, o motor imóvel da filosofia aristotélica, a empiria que destroça a economia, os lares-metafísicas de hoje; enquanto segundo é o platonismo tao almejado pelo recalque Nietzcheano, estar no centro, mas se imbuir de arte tamanha que não enxerguem o meu ser. Esse amago mal visto e bem quisto nos transporta ao reencontro dessa primeira força cientifica, num movimento parabólico, redesenhando outro devir. A biologia, apesar de sabermos que ainda estamos diante de uma câmera, o que oferece a nos maior conforto, por não estarmos a sós pela presença ausente da tal máquina, é daí o conservadorismo extremado surgido desse movimento. Das políticas modernas sendo dobradas a uma constituição de guerra fria, que levara ao repensar do ato socialista, do que é realmente comum a essa diferença expurgada de natureza. A identidade se faz assim extremamente cética, e extremo no sentido conservado-esclerosado, digo, o não ter uma identidade se faz também identidade, fechamos mais um ciclo. Fantasmagoricamente somos carregados a essa suspensão depois das forças se anularem e formarem outro devir que revolva o morto, da imagem-cena descontinuada temos nada-mais-nada-menos que outro tufão a ser enfrentado, de migrantes e perdulários, a assassinos pela falta de uma teoria da moeda que de sentido a essas eternas parábolas. 

Referências

O conceito de ceticismo. PUC-Rio.

A Ascensão Tifoniana: O Legado Mágico de Kenneth Grant. Matthew Stevens.

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