Murmur of the hearts, 2015.
Sylvia Chang.
“Força ele explica como sendo primeiramente uma força em A para produzir uma mudança em B, ou em A mesmo para produzir mudança nele mesmo enquanto outro. Potencialidade, por outro lado é a potencialidade em A de passar a um novo estado ou ocupar-se em nova atividade. Esta pode ser a produção de mudança em B, mas a noção de um B ser submetido à ação não está necessariamente implicada na noção de potencialidade, como, pelo contrário, encontra-se na noção de força." - Ross.
“Surge um problema peculiar quando, em vez de ser, como acontece habitualmente, um discurso sobre outros discursos, a teoria deve desbravar um terreno onde não há mais discursos. Desnivelamento repentino: começa a faltar o terreno da linguagem verbal. A operação teorizante se encontra aí nos limites do terreno onde funciona normalmente, um carro à beira de uma falésia.” - Certeau.
As elipses e o palimpsesto que revigora o a matéria e da a ela toda uma vontade progressista. A dualidade que permanece nesse lugar da teluricidade, é o próprio hermafroditismo. A sereia que flutua e recebe sensações desse espaço que interligada seres que não tem capacidade de chegar a realidade vigente do momento, estão em osmose. O irmão que seria esse contato mais direto com o macho que a personagem perde ao criar trauma sobre o pai, e que irá se perder em sua jornada, mais a frente junto a figura do namorado é reencontrada, em meio a simulação do flutuar, para o caminhar nas nuvens. Esses seres que vem da narrativa da mãe assumem agora os ares, formando essa redoma de arte sobre o plano, por mais que as elipses abram frestas e tornem o plano poroso, ainda fazem parte de uma sintaxe, de uma cadeia de pensamentos. A personagem que caminha em direção dessa imagem que se esvai e abre planos tortuosos e turbilhonados para em seguida ter como centro o personagem, mesmo que não existam grandes diferenciações na iluminação, por exemplo, quando essas imagens, e seres que tentam adentrar no quadro não é feita uma cerimónia para sua entrada, mas é a própria sintaxe a liturgia a qual eles se coordenarão. Essa nova China que surge assim com o fim de seu grande pai ao norte do globo, formará uma cisão em sua milenaridade. A mistura de povos tardará esse encontro com o espírito comum causando matizes no plano; um único quadro capaz de conter diversas camadas ad infinitum, o socialismo eternamente embrionário, a Taipei que tanto parece São paulo aqui no Brasil, quanto o Bronx nos EUA, socialismo se torna assim o infinito aristotélico, aquilo que não esta dentro do finito, mas é potencia interminável, capaz de se perder do ato. Se esse preenchimento do não-ser, disso que permanece fora é ainda sem o tempo necessária para adentrar ao quadro, o reencontro só pode ser adiado, a feminilidade é assim contraria a esse aporte da arte, é a Pneuma que fara esse processo de se expandir para fora retirando o chão dos personagens, não a matéria em si passiva, mas todo um espaço que se diz vazio. O não-ser não existe, mas ressoa por esse espaço vazio e supostamente ausente de seres, a depender afinal do ponto de vista, do lugar equidistante a qual se fala: a ausência-presente, os dois ponto aqui, a anunciação acolá, o Eles somos nós. Se, por exemplo, em Carpenter o plano é de suma importância, e é exatamente do quadro que se emana o turbilhão de outros seres, aqui são esses seres que por fantasmagoria e parapsicologia adentram o quadro em busca de ar, um lugar que ainda possa possuir a ideia de vida, de teorias da realidade. Concomitantemente, a falta de subjetividade que levará esses corpos a uma outra realidade diferente desas a que estão inseridos ainda não foi preparada por eles, pela também falta de vontade de potência, mas somente pela busca do poder, ato em si, dessa vontade de desejos por imagens egoicas, e não pela humanidade, universalidade antieconômica. O espirito que invade o quadro e rouba o ar, tornando o espaço rarefeito para os seres que conseguimos acompanhar com os cinco sentidos.
Referencias
Ato e potencia: um estudo sobre a relação entre ser e movimento no livro 0 da metafisica de Aristóteles. Alexandre Lima.
O Palimpsesto de Aristarco: Considerações sobre plágio, originalidade e informação na musicologia histórica brasileira. André Cotta.
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