Kandukondain Kandukondain, 2000.

Rajiv Menon

“como a ideia para Aristóteles não é mais externa ao objeto, assim o produto artístico em definitivo imita não tanto enquanto reproduz, mas enquanto é estruturado, tem uma forma.”  - Vattimo.

“a realidade é toda atravessada por uma corrente de vida que é energia criadora, que se multiplica numa infinidade de espécies, de que são portadores os indivíduos organicamente constituídos num crescente triunfo do espírito sobre a matéria” - Fabro.

Adentrar no quadro não é somente ocupá-lo em presença, mas fazer com que a própria presença expanda o espaço. O musical que em uníssono atrai não só os corpos ao centro desse lugar, mas também os prende. O sonho é assim não somente algo deleitoso, mas carregado de injúrias. Não vem para exaurir o plano, é o plano tomado como forma. Se tudo é água, o ato politico que praticamente cria a filosofia segundo a história, da vontade de unir os povos e trazer a ideia de nação, para depois a constatação do ar como sendo o fundador das multiplicidades por Anaxímenes, não tão bem lembrado no decorrer do processo histórico, mas consumido pelo fogo heraclitiano mais assumido como impulso dos seres. A indústria está dada já nas questões do pensamento, nas recriações de sistemas, os duplos que consomem qualquer ideia de princípio em camadas de organização de cenas. É como se as forças fossem lineares mais do que cíclicas, por mais que essas camadas deem a impressão de que as coisas retornam de alguma forma, misturadas, aparentemente diferentes, é, na verdade, a sutileza que traçará o plano metafísico e pre teológico. A tela onde se pinta o patriarca fecha e abre a organização dessas matérias e ditarão seus rumos. Nunca de forma direta, mas sempre enviesadas, já que o sonho toma e afasta esses seres do centro, a ideia de entidade em si. Por conta dessas camadas que linearizam o processo histórico através de uma má vontade, as entidades que se formam, destituindo os seres, para se manterem nesse espaço onde o sonho comprime a todos por não termos mais onde pisar e construir uma reordenação, assimilamos tudo pelo impulso. O personagem que sabe de seu destino, somem e evaporam desse lugar para dar tempo-espaço as correntes dessa péssima vontade, mais animalescas, portanto automatas, do que racionais e humanas. Não é que a razão seja o nosso problema, ela cria sim (em conjunto com a intuição...) toda uma cultura e a faz perdurar com seu logos, pequenas logicas. O que da a entender que é com ela que se destrói a própria intuição, mas ao traçarmos o plano cartesiano-cinematográfico, a evidência que nos assola é exatamente a intuição disfarçada em costumes e hábitos de uma certa região, onde as camadas polidas e voluptuosas do devir nos confundem com suas sinuosidades. A intuição sempre foi maior que a razão, primeiro em seus movimentos, cria as potências, nos resta saber o que ela é elementarmente. A priori algo irreconhecível, assim que nos aproximamos de sabê-la, ela já se transforma em algo diferente: o aforismo socrático sei que nada sei, e o aforismo nietzschiano dito por mim, sei que tudo sei, só o machismo pode.

Referencias

A imitação em Aristóteles. Carlos Lemos.

A intuição como preâmbulo à ciência: um estudo de abordagem filosófica. Alécio Vidor.

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