Eggsshells, 1969.

Tobe Hooper.

"Quando nascem as póleis, sua forma de constituição faz emergir uma nova mentalidade que prima pelas formas de organização transparentes na sua exterioridade e dependentes, entre outros pontos, das inovações técnicas de grande alcance: a metalurgia de ferro, a melhor utilização do metal. Esse jeito diferente de compor as relações politicas e sociais opõe a individualidade familiar dos géne uma aglomeração humana necessitada de novas instituições (tribunais, assembleias, agorá, teatros, ginásios) e com as quais os polítai, os cidadãos, tem compromissos comuns. Junto com essa nova mentalidade nasce a reflexão filosófica e com ela o pensamento técnico como saber especifico" - Araujo.

"Aqui se ilustra primeiramente também o enigma da crítica: como se pode negar realidade objectiva ao uso supra-sensível das categorias na especulação e conceder-lhes, no entanto, esta realidade relativamente aos objetos [Objekte] da razão pura prática." - Kant.

O microscópico é assim o resquício de uma grande força, um movimento brusco, o que fica ininteligível, o oculto afinal. Não é o minimalismo em si, o close, o ser ao qual não vemos, mas somente sua técnica in presencia. O que assiste aqui é o que também esta presente, não como uma contemplação que lhe empurra para fora do plano, mas que ao zoom in da câmera o corpo realmente se revela, das conversas na banheira, a câmera no canto do corredor que pela montagem, agora, presencia essas matérias atravessando o plano, de forma falha, desordenada. Ao que parece a nós essas consistências simulam exatamente o contrário, estão ali perambulando e não exatamente presenciando algo, o que quero dizer, é que são assumidos pela intuição, de perceber e logo naturalizar, tornar piada o que os revolve. Filme que ligará diretamente ao seu mais famoso sucessor, se no massacre da serra elétrica nos revela o que resta de mais longínquo dessas relações falhas e ruidosas mesmo tão próximas, a construção da família que parte de um molde traçado pelo Senso, a ser delineada pela diferença, hippies que casam formalmente, e que perpassam pela estupidez jovial também de forma natural; enfim, quem acredita em espectros, muitos menos em espíritos? A memória muscular se esvai nesse processo das relações que não tem mais consciência social, estão ali pelo prazer e envolvidos pelo afeto do que não é mais possível, o que os cerca, mesmo que seja o mundo se mostrando plano, questão a qual cientistas ainda se esforçam para contornar. A técnica é disputada tanto pela razão que a inventa, quanto a intuição que a cria, em dois processos paralelos. Toda Ferramenta que se estende e se alonga diante de nos consideraremos arte, mas que ao longo da evolução histórica foi se perdendo para dar lugar ao simulacro. E falo em evolução por não partir de uma visão devirginal e ahistorica, pois é exatamente quando as coisas se microscopam é que percebemos o quão retas elas são, e quanto possuem traços: o ceticismo não é a falta de religião assim sendo. É, portanto o contexto que assume as energias desse espaço, essa falta de linearidade é isso que chamamos de pronoia, em seu duplo sentido de afirmação da doença e construção de outra humanidade, por mais que essa falha na matéria o tranquilize com uma vida dupla e amacie seu corpo para que seja assumido por alguma mão invisível. A economia é reduzida ao afeto, do gosto, e a filosofia se torna metafisica segundo os pilares da psicanálise, e a realidade como duplo dessa dimensão que revolve as filiações da fotografia, a câmera que capta esses movimentos mais ríspidos pode se dizer vencedora da guerra que acontece fora da coisa em si: corpo sendo assumido pela arte, criando um Estado, a subconsciência.

Referencias

O solo histórico da noção de téchne e a reflexão de Platão na republica. Raimundo Araújo.

As objeções de Nietzsche ao conceito de coisa em si. Andre Itaparica.

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