Crazed fruit, 1956.
Ko Nakahira.
"Esperemos com calma os frutos dessa nova revolução que nos apresenta pela primeira vez o estilo telegráfico e a metáfora lancinante." - Andrade
"A Catarse de Integração aponta para uma experiência coletiva de transformação. A coletividade pode começar pela díade terapeutacliente, e terminar com os grandes grupos, e ainda que cada indivíduo viva a transformação de uma maneira singular, todos passam por ela" - Reñones
A justa medida requer um grande esforço não só de ambas as partes do progresso dialético, mas do próprio devir que fundamenta esse movimento. Ao traçar um lado, onde as medidas diferem da própria origem, percebemos a linha progressista que se cria antes da dialética nesse-espaço-tempo ao qual observamos no agora. É assim o presente momento de suma importância para Nakahira, isso que se repete em continuum, em reflexos como numa brincadeira de telefone sem fio, onde o que chega a nos, é apenas o instante das sensações que aquela onda ira me causar. A crista da onda, melhor dizendo, pois só pegamos o que é superficial por sermos justamente limitados ao nosso corpo. Mas isso não seria uma dupla redução do que nos somos? Uma falácia afinal? Onde o capricorno chega sem conseguir mais afirmar qualquer tipo de doença, e por algum tipo de indolência também não retorna ao fundamento, o risco da estagnação no auge do movimento. O crime capital que faz com que esse próximo movimento de retorno não aconteça é a pedra de toque do cinema, e mais especificamente do que viemos a nos tornar, mitólogos em seu sentido pejorativo dos rapsodos. A criação da idealização que começa já na abertura com créditos acontecendo nos carrega assim para esse lugar da inociência, a grande quebra de expectativa, nos restando apenas o deleitar-se com a voluptuosidade das superfícies que o restante da projeção nos dará. Essa segunda expectativa criada da arte pela arte nos condiciona assim nessa dimensão terceirizada pelas forças opostas do que chamo adilética, uma vida conservada pela intuição do devir. Estamos agora na anarquia sem antes termos passado por qualquer pedagogia; a indagação de Diogenes sobre arte que o aproxima tanto de Platão quanto se afasta. A retomada do paradoxo como motivo filosófico, nos revelando o que é esse tão enfadonho amor pela sabedoria. A arte vem então como conservação de um logos prestes a implodir, mas se ainda não fossemos tão aficionados por essa documentação da desgraça que o cinema se tornou. Ao superar o teatro e a fotografia, supostamente a principal questão levantada e traçada entre o embate de Rousseau e Hume, o cinema nos resolve e nos finca com a dica de que devemos afirmar a catarse. Por uma não constatação do problema junto ao que a esquerda e a fêmea sabem de cor e salteado. Dessa espera do que o cume do racionalismo em Espinosa vai nos dizer, disso que restou na caixa de pandora é o que temos de pior.
Referencias
Dois rapsodos tropicais: Mário de Andrade e José de Alencar. Maria Ribeiro.
Além da catarse, além da integração, a catarse de integração. Wilson de Almeida.
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