Barbie, 2023.
Greta Gerwig
"O corpo vivo assim transformado deixava de ser meu corpo, a expressão visível de um Ego concreto, para tornar-se um objeto entre todos os outros." - Merleau-Ponty
"É certo que "representação" provém da terminologia do pensar consciente e, por isso, "representação inconsciente" forma uma expressão contraditória. Mas o processo físico que está na base da representação é o mesmo em seu conteúdo e em sua forma (se bem que não quantitativamente), quer a representação passe o limiar da consciência ou permaneça abaixo deste. Bastaria construir uma frase como "substrato da representação" para evitar a contradição e escapar àquela reprovação. " - Breuer
O subconsciente tem a capacidade de ser coletivo e reter não só o pleonasmo, mas todas as figuras, a linguagem em si de uma raça e classe, ou grupelho; o inconsciente é cósmico, nunca coletivo, pois se fosse daria a entender que há um inconsciente particular, dando aval a uma subconsciência onisciente? Impossível, não vivemos em plena intuição, até porque ela não o é plena, mas o principal humor que nos transporta entre as camadas de consciência (a in-, sub-, ou auto- como veremos). Já a consciência em si é múltipla, materialista ao sabor do espectro, nunca esclerosa naturalmente e se mantêm em essência um reflexo da intuição, porem quando se enrijece por forças externas, ou mesmo pelas outras camadas concienciosas citadas, cria uma autoconsciência capaz de simular intelectos. Sendo assim, o que quero dizer aqui com esse filme, é que junto ao frenesi das imagens, de signos que são projetados em nos com tamanha velocidade, no intuito de nos prender nessa rede social, no sub, onde a lua se exalta, o totem e o tabu. Esse pleonasmo que permeia todo o filme não é de forma desnecessária, mas autônoma, robótica, para dar mais vigor a esse corpo consciente que emana e flutua o quadro. Obviamente não se tem espaço para o extracampo aqui, o tempo não adentra na organização de cena, é tudo muito esquemático, o próprio "pensamento de morte" que a personagem supostamente cria. Como uma antecipação da criação da consciência, a sensação por esse tempo que não adentra no quadro por ele estar blindado a diferença. Esse movimento dado assim em conjunto, dissimula o próprio drama, pois tem ali sim uma vontade de catarse, da boneca com sua imagem e da imagem consciência-múltipla dos outros seres, no vazio, como se cada um estivesse preso numa bolha. Esse processo criado pela intuição, vilã do filme, da pois modernidade em si, é o arcabouço fiscal desse ego consciente de si, como antenas que se concatenam para que o insumo da subconsciência flua da mesma forma sempre, o devir, o maultriarcado onde apenas a investigação científica adentra, podendo-a implodir. Outro processo que somente o personagem do Gosling faz, desde o início ele cria conscniea de si, assume o materialismo, esta sempre um passo a frente do grupo, capaz assim de se adaptar em todas as redomas. Ao criar esse símbolo do homem sobre a cruz, esse meio-termo que chamamos assim de subconsciência, sintetiza tudo que é dado anteriormente pelo cosmo como espirito, e pela consciência materialidade, demonstrando-se portanto como um espaço extremamente artificial. É engraçado chegar a essa constatação de que a essa camada do meio seja artificial, tanto lugar da cultura quanto da verdade. Verdade por ser uma criação em conjunto da pletora de seres universais, mais a superfície voluptuosa da matéria em mais diversos estados. A brincadeira de um mundo dentro do outro confere assim essa dinâmica da busca desenfreada por desejos in-significantes e da construção de um duplo do cinismo, esse novo mais acadêmico por não negar nada, mas apenas afirmar a lógica desse rio nunca o Mesmo nun quarto de espelhos com o que poderia ser consciência, a hipótese automata.
Referências
O autômato: entre o corpo máquina e o corpo próprio. Claudia Murta et al.
As origens do conceito de inconsciente psíquico na teoria freudiana. Fatima Caropreso.
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