Uski Roti, 1970.

Mani Kaul.

"No entanto, 'o fim das ideologias' tão alardeado pelos pós-modernos está longe de significar o fim das utopias. Por mais paradoxal que isso possa parecer, em ambos os casos, o impulso utópico aloja-se hoje no próprio corpo ressurgindo como utopias somáticas." - Lastória

"O que está em jogo não é o que deve ser (o tempo, a infância, a educação, a política), mas, o que pode ser (poder-ser como potência, possibilidade real) o que é. Uma infância afirma a força do mesmo, do centro, do tudo; a outra, a diferença, o fora, o singular. Uma leva a consolidar, unificar e conservar; a outra a irromper, diversificar e revolucionar." - Kohan et al. 

O deserto a ser atravessado perpassa pela religião a qual o messias está atrelado, não por escolha, mas por imanência, e destino de representar de forma exacerbada o logos em que está inserido, revelando a nos que ficamos para trás com esse movimento de atravessamento, tudo o que não pertence, tanto ao presente quanto a memória, passado-futuro. Isso que é mirado pelas personagens, esta fora do quadro não pertence mais a imanência, cinema nunca é sobre o estreito, a proximidade, mas a distância, mesmo quando Balazs prenuncia a morte do teatro ao anunciar o close como revolução. Como já se sabe a revolução não é um ato, mas processos regressistas, das vitórias de burke e hume sobre Rousseau. O que acarreta narrativas reformísticas de retorno aos pre-socráticos, à pangeia pneumática, de pelo menos uma estória que perdura por gerações, ao ser tratada justamente como narrativa, porta(n)to discurso a ser assistido pela minoria. Se esse espaço que não se apresenta, e nos põem a revelia, de não didatizar os acontecimentos e nos trancafiar dentro do quandro através do Horror, é porque essa própria minoria a deseja, de certa forma em sua mais-valia pessoal, da impotência de não querer, e contradizer pelo acomodar-se nessa pequena logica. O desejo nunca é, esta sempre no vazio pessimista da inexistência, por isso a confusão que essa falsa economia capital nos propõem sempre a contradição e nunca o paradoxo, do pequeno tempo, enquanto a projeção rola o filme e desmonta ele a nos. Essa montagem é sempre em pulos e saltos, parenthesis, colocar ao lado, como se a imagem que é, também não pertencesse ali ao presente momento em que se insere, como um filme de ficção cientifica, de autômatos perambulando lugares empíricos se e somente se empíricos, dos cinco sentidos espectralizado e nos lotando de sensações, a cada salto da imagem, como num stop-motion onde a imagem anterior nunca se encaixa bem com a posterior por curtos cortes do tempo, de mais uma vez a revolução sendo destituída, pela fotografia, da imagem estática e dependente estritamente da iluminação e ignorante do áudio. Lidemos de forma pessimista e retornemos ao iluminismo assim? Ou positivamos e continuamos contando estórias Pré-Socráticas preparando mais um novo jesuis? O cinismo e o exército de reserva contido nessa dialética irá nos indicar que é na reforma que a revolução irá se conter e acomodar, enquanto a radicalização continuar se apegando a essa imagem saltitante de pequenos suspiros, de silêncios mórbidos, qualquer ritual que se preze irá cair na lógica do menos pior, do centrismo e do equilíbrio entre os radicais-livres como mote de vida, da normatização inconsciente. O messias-revolução só se apresentará na técnica da poieses, da ferramenta pseudopodos da classificação-sempre-imagética e cinematográfica, da arte com o poder de reunir outras artes.


Referências

O cinismo como metáfora da cultura. Maria de Assis et al.

de chrónos à aión - onde habitam os tempos da infância? Janice Araújo et al.


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