Three comrades, 1938.
Frank Borzage.
"O que é distintivo no tipo de crítica representada em princípio pelo materialismo histórico é que ele inclui, indivisível e ininterruptamente, autocrítica. Isto é, o marxismo é uma teoria da história que, ao mesmo tempo, reivindica proporcionar uma história da teoria. Um marxismo do marxismo estava inscrito em sua constituição desde o início, quando Marx e Engels definiram as condições de suas próprias descobertas intelectuais como a emergência das contradições de classe determinadas da sociedade capitalista, e seus objetivos políticos não apenas como “um estado ideal de coisas”, mas como gerados pelo “movimento real das coisas”." - Anderson
"Para explicar o singular, conclui Gilson, Scot parte da natureza ou essência comum, nem universal nem particular, que o metafísico considera. Resolver este problema consiste, pois, para ele, inevitavelmente, em acrescentar à essência uma determinação “individuante”. Essa determinação não poderia ser uma forma, porque toda forma é comum aos indivíduos de uma mesma espécie. Portanto, ela deve se acrescentar à forma a partir do interior. De fato, segundo Duns Scot, ela é sua atualidade última. É a famosa “hecceidade” scotista, o ato último que determina em relação à forma da espécie a singularidade do indivíduo." - Torres.
A dizima periódica alcançada na divisão da matéria, ou melhor, do materialismo que se divide ao radicalizar o empirismo. A observação feita somente através dos cinco sentidos sobre o objeto esgota suas possibilidades, o marxismo se esvaece e as possibilidades de idealização se tornam mais perniciosas ao enrijecerem dentro do meio, pois se tornam comuns. Essa comum posição mina o subconsciente com normas e padrões que se ligam a sobrevivência, portanto, a moda. A guerra que abre o filme, através da comemoração entre os sobreviventes, já de forma indireta, pois se idealiza os destinos desses corpos agora, e duplamente-indireta assombra o restante da obra, agora pela coxia sempre a espreita de mais corpos a serem derrubados. A competição perdura, mas de forma amistosa, é o sabor da guerra que não sai desse primeiro sentido. O paladar é para o cinema o mais abstrato dos sentido junto ao olfato talvez, mas são experiencias que se dão pela visão, e estritamente pelo som, do música de coreto, em uníssono. O subconsciente é esse lugar onde o comum ecoa, mas também servirá de substrato para despontamentos que guiaram essa massa de camaradas, estão todos ombro a obro: todo mundo é bom para todo mundo, diz um deles ao casar o amigo. A amizade é assim idealizada nos conformes da sociedade, algo que é diretamente anunciado pela caçada que esse mesmo camarada da constatação anterior revela, há algo de comum entre nós, o campo e contracampo revelará muito bem isso, e de como, aos poucos, os personagens de classe social mais alta vão sendo negligenciados, o médico inclusive não entenderá as vontades de sua paciente. Não tem uma lógica sendo racionalizada, mas produções de afetos in vitro, são bibelôs que assistimos, bonecos frágeis sendo guiados por força maior, da mise en scene, mas também de uma cultura que os rejeita, que não os querem unidos, justamente para que os crimes de guerra continuem através agora da vingança, e não mais da política, por outras vias de afeto. A abstração da caça e do revide culminando no oportunismo, e fazendo com que esses afetos se direcionem a política sempre, que é o que despontará aqui. Não apenas a política em si, como representação democrática a qual estamos mais que acostumados, mas ela em sua forma mais magistral ao fabricar concessões ao renovar o melodrama, do triangulo, aqui, extremamente evidente, mas que de tão comum a própria empiria dos sentidos culminado na visão não a alcança; será esse o repúdio dos idealistas alemãs aos cínicos, principalmente Diógenes? Redundância do devir que banaliza a matéria, a transforma em processo histórico. O passado é se e somente se, passado, e ao retornamos a ele é pelo futurismo da techne, e não pelo iluminismo, mesmo que pessimístico. Genealogia e necromancia.
Referencias
A crise da crise do marxismo: introdução a um debate contemporâneo. Perry Anderson.
O Conceito de Universal em John Duns Scot. - Moises Torres.
Comentários
Postar um comentário