Lagaan, 2001.

Ashutosh Gowariker

"As apresentações que, por exemplo, são recebidas em uma pintura, ou vistas em sonhos ou por qualquer intuição da mente ou por outros critérios da verdade, não seriam jamais semelhantes às coisas que designamos como realmente existentes e verdadeiras se existissem certos termos concretos de comparação. Não haveria erro se não houvéssemos experimentado um certo movimento em nós mesmos, correlacionando com a percepção do que é apresentado, mas distinto dela. E desse movimento, se ele é confirmado ou não é contraditório, depende a verdade." - Epicuro

"A função significante do Nome-do-Pai inscreve-se no Outro, que até então era para a criança inteiramente ocupada pela mãe. Se, no primeiro tempo lógico do Édipo o Outro é a mãe, o Nome-do-Pai é o que vem barrar o Outro onipotente e absoluto, inaugurando a entrada da criança na ordem simbólica" - Quinet.

A sensação de chegada da chuva, a dependência da natureza e pela umidade que nos une. Humor-amor, afetos que socialização e põem cada um no seu devido lugar, no lado da trincheira. A política é assim um campo de batalha e não de concessões, onde se deveria criar leis para melhor convívio, mas estímulos a competição ao sabor da economia. Precisa-se com isso criar teorias da moeda que condizem com o ambiente. Se o espaço em que se insere os corpos estão distantes do centro, a moeda de troca precisa ser mais primitiva, mercantil, de escambo, talvez. Torna-se a mediação mais abstrata nessas condições, onde não existe uma real moeda, algum contrato vigente, e a ser experienciado pelos sentidos, mas uma ética que enlaça esses corpos. A moral então que envolve e cria abstrações e complexidades, transformará a individualidade em algo a ser estudado, perde-se a noção de grupo e o fragiliza-se, mesmo quando se canta junto, a dança revela desavenças escondidas que não vem a tona pela linguagem corriqueira, mas é nesse ponto cego, na ansiosa dança da chuva que os corpos se acertam e abrem-se dissidências dentro mesmo do grupo, necessitando que uma força estrangeira adentre nesse campo de força para acontecer o equilíbrio daquela sociedade novamente. A contradição está dada, a umidade, a fleuma é conscrita de forma escassa e desértica, a duvidar se realmente estamos lidando com agricultores, ou intuitivos guerreiros, profissionais de cricket, como nosso herói afirma ao dizer que o seu jogo tradicional é igual à técnica dos ingleses. Essa comparação com intuito de se igualar e trazer a justiça nos mostra que é da política ser contraditória e nunca paradoxal, só lhe interessa a matéria, do espaço-tempo cronológico e microcósmico. O melodrama gira entorno então da síntese, entre o herói, o seu inimigo distante e seu inimigo desconhecido, enquanto é cercado também pelo amor distante e próximo, ele é alguém quem ainda reconhece suas raízes, do pai. A comercialização da técnica prevalece aqui como essa queda dos átomos, do microcosmo ruindo, e da necessidade com que esse lugar consiga resistir ao avanço do inimigo declarado, o ocidente. E de um lugar que se mostra também similar a esse o qual repudia.  Nesse processo de antecipação tanto da chuva quanto do enfrentamento leva a esse espaço-tempo mínimo onde o herói será requisitado de forma ainda mais sublime, a idealização em seu estado máximo, o guerreiro que direciona sua tribo para o lugar certo transformando as sensações em adialética para o inglês ver. Tudo é água, me empresto de tales e da esotérica classificatória de Aristóteles, para simularmos os confins do século XIX, após cristo com extrema obviedade. Se estamos suspensos, flutuando no vazio, não é porque ele é finito e possui suas regras, mas porque o jogo que esta sendo jogado não se revela como memoria e tradição, mas como forças microscópicas a sustentarem a cronologia como metonímia e dependência da heroína metáfora. Personagens que servem apenas como ferramenta classificatória, e da média sempre exotérica, de sociedades que se mimetizam através das classes, pelo oculto, as sombras do campo de força adialético.

Referencias

Epicuro e os critérios para a compreensão da phýsis.  José Bezerra.

O Retorno: uma representação fílmica do arquétipo do pai. Alessandra Moretti.

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