Dois curtas e um média?

"E, portanto, Platão e Diógenes são colocados cara a cara, trocando intensas acusações cheias de orgulho: enquanto Platão discerne no Cínico aquele orgulho de resistir a todas as instituições, cujo conhecimento, é o objeto de seu apreço, já Diógenes identifica no líder da Academia o orgulho de alguém que usa a inteligência para ter o poder de dominar a multidão de miseráveis, que só têm boa vontade para triunfar sob os obstáculos da existência." - Meilland.

"A ênfase geral (e equivocada) na trama e estrutura levou para um exagero no processo de escaleta. Muitos acreditam (foram ensinados ou leram isso) que eles precisam ter uma escaleta completa de suas histórias antes de começar a escrever cenas. Eu acredito que essa visão da escaleta é mais do que errada, ela pode ser destrutiva. Uma escaleta meticulosa pode dar a impressão falsa de plenitute; pode te induzir a escrever para a escaleta ao invés de a partir dela. Isso pode resultar em uma cena ou personagem que foi manipulado e tensionado para caber na forma ditada pela escaleta." - Gallo.


Filmes que genealologicamente conversam por algo mais fortuito, enquanto media forças mais primitivas sendo mais radical ao produzir a própria medida, de mostrar como se pausa depois duma sequência brutal de açoitamento. A pneuma Criada no primeiro através do lusco-fusco dos princípios do cinema para ser asfixiada logo depois formando depressões na matéria, enquanto mais tarde a espreita, numa simulação desse vale, estão formas que irão abduzi-la.



Une nuit sur le mont chauve, 1933.
Alexandre Alexeieff, Claire Parker.

O que é o ciclo se não uma infinita gama de promiscuidades entre ligações frouxas entre paralelas que não tem possibilidades de se encontrarem pelo destino que as sucumbem a identidade. Scorpio rising, a carta da morte é esse principio de ligação em coisas que não se encontram, se enquanto o julgamento da classificação logica cria essa dualidade dicotômica e com a sentença, o Ato pôs aristotélico que fará com essas forças distintas possam ter ainda algo em comum: a morte. O formalismo que ainda possui algo a ser traçado aqui, nas reflexões da oposição gerada entre essas trajetórias inimigas, e que construirá essa dialética não reconhecida pelo ciclo da matéria nos remete a loucura e ao primitivo da imagem, ou de um flautista recostado na árvore como símbolo de esperança que possa ser construído àgora.



A densa nuve, o seio, 2020.
Vinicius Romero

Enquanto aqui temos essa culminância do movimento anterior, a luz, os pixels e a terceirização das imagens estratificadas nessas estreitas relações entre energias correlatas, estão lado a lado, capazes de formar parênteses e se dispersar. Mas é com o som, a música desse flautista que opera a positividade no fim dessa montanha escalpelada pelo vento da Pneuma que ainda perdura aqui, como ruído é claro, sem melodia, mas lotando a imagem de contradições, pois vemos silhuetas, mitos para os olhos. Os arquétipos estão dados, basta o espectador usá-los a sel bel-prazer, afinal ainda estamos numa cultura egocêntrica, onde priorizamos ritualizar contra o outro, vulgo Marx. Um filme para escravos, e não para os seus procriadores, jacques, também,  não estamos mais no devir. Não há repetição, mas consecutivas catarses de encontro com a techné, e com um único vale, um único momento de alívio, falso obviamente. A flauta passa a ser escaleta.



Primeiro beijo, tristeza prematura, 2023.
João Pedro.

O silêncio já faz presença aqui, enquanto a geometria tomará e encapsulará o som no entre ato, o vale aqui, o momento de descanso se põem ao contrário, é humor quebrando as expectativas ao evocarmos anedotas cínicas para afastar o que tem de similar a nos. O complexo está no simples, não vemos e não sabemos o que cria a repulsa nesse rosto que se vai, mas a depressão entre o olhar que mira o que esta fora, e seu movimento do que é despedida. Algo a se pensar também com o nome, a classificação dada pelo título, que como um rótulo num frasco de experimento molda suas moléculas, da linguagem que formaliza seu conteúdo, desse espirito evocado pela flauta anteriormente ao passar pelos subtons escalonados, agora precisa se desprender novamente, por ficção.

Referencias
O anti-intelectualismo de Diógenes, o cínico. Jean-Marie Meilland.
Escaleta: estruturando a historia em um roteiro. Jacqueline Souza.

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