But i'm a cheerleader, 1999.

Jamie Babbit.

"O verdadeiro filósofo não procede a especulações, mas transforma-se. Seu objetivo não é ter razão ou mudar o mundo, mas transformar-se a si mesmo; e, por esta transformação encontrar acesso para outro modo de consciência que lhe permita encarar o mundo de uma forma diferente..." - Leloup

“se for verdade, por exemplo, que a depressão é constituída por baixos níveis de serotonina, o que ainda precisa ser explicado é por que indivíduos particulares têm baixos níveis de serotonina. Isto requer uma explicação social e política; e a tarefa de repolitizar a doença mental é urgente caso a esquerda queira desafiar o realismo capitalista” - Fisher.

O marco zero que tem como origem a si mesmo e com desafeto prescreve obras e trajetórias, destinos de toda sorte. Como essencialista sou um mero esteticista diria o filosofo acadêmico de hoje, aliado e atento a política, o disse me disse das relações, a opressão, e, contudo, do recalque trazido e re-conjuntado do fascismo. Toda a renovação do prefixo neo, e que disfarça muito bem esse movimento de origem das obras vem com esse esteticismo de se criar outro campo subconsciente que irá iluminar uma nova-disfarçada consciência. A representação formada nesse ínterim de um jogo, agora suspenso, irá condizer com a retórica, e as máximas do pequeno tempo ao qual pertence. Quando uma imagem é feita digladiada a outra causando essa terceira força, não é para esclarecer algo que ficou subentendido, na subconsciência, no comunismo, no rebaixamento do conceito, fazendo com que o cinema se torne material, o movimento e o sentido dado por esse choque quando aliado ao tempo e a consecução da narrativa gerará no subjetivo de quem assiste uma formação de mundos capazes de serem tanto desfeitos pela realidade que o assombra quanto afirmados também pela própria realidade que o impulsiona para fora, para outra dimensão. O capitalismo dá aval para as duas ocasiões, e até pela redução de oportunidades, diminuindo a força anterior a escolha da realidade, nos restando imaginar o fim do mundo, o apocalipse e o horror, mas não o fim dessa realidade que ele molda. É necessário que conceituemos as próprias doenças que ele cria nesse movimento, no cinema como o máximo do pautriarcado, de um didatismo e uma pedagogia do pornógrafo quando se busca a confluência da arte, como ele se apresentou a nós. O quinto elemento que se consolidará/surgirá com a gnose faz com que duvidemos desse esforço a qual fazemos em tentar transpor essa escolha dada pela maquinaria por detrás da realidade. A religião revela assim as camadas que constituem esse espaço onde os corpos que persuadimos com os sentidos mais irracionais multipliquem e enfraqueçam tudo o que se apresenta como comum a esses corpos. A máxima representação, onde a minoria é em fato maioria, não cria verdades que poderiam catalisar a revolução, mas ciência e ferramentas que irão suprassumir suas potências, ora, de permanecer inobservável a si mesmo. Querer viver fora da memória ao não retornar a realidade dando uma afirmação a dúvida e a produção desenfreada de doenças, entrar para política. Ou do que se apresenta, novamente o apresentar, como politica. A representação é assim já uma falseação do que é; como unidade não é nada senão o sentido classificado e ordenado pelas vontades imediatas-sociais daquele tempo. Essa busca pelo pornógrafo, de diarizar seus desejos em imagens-propriedades não se mostra como uma saída, mas um reforço dessa logica que separa a essência, a ontologia antifenomenica e a estética, transformando-a em superfície plana, e das confusões entre fato e verdade, ao cientificar o não-ser.  A válvula de escape que inundará essa bacia hidrográfica de sensações com multiplicidades tamanhas será a única burocracia, do afeto tornado apego, da sobrevivência como único modo de vida. Horror.


Referencias

Gnose: uma via de reconhecimento das sombras do eu.  Jorge Trevisol.

Ativismo da inatividade? Depressão como gesto político. Gabriel Peters.

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