Beyond Hypothermia, 1996.

Patrick Leung Pak-kin.

"Mas pela palavra "arquivo" - e pelo arquivo de uma palavra tão familiar. Arkhê, lembremos, designa ao mesmo tempo o começo e o comando. Este nome coordena aparentemente dois princípios em um: o principio da natureza ou da historia, ali onde as coisas começam - principio físico, histórico ou ontológico -, mas também o principio da lei ali onde os homens e os deuses comandam, ali onde se exerce a autoridade, a ordem social, nesse lugar a partir do qual a ordem é dada - principio nomologico." - Derrida.

"O cinema não é movimento, mas projeções de imagens fixas." Kubelka.

A instância promovida pela foto, a morte,  congelamento, contemplar o objeto, é ele quem atrai a nos e não o inverso. O cinema fará com que esse congelamento se derreta de alguma forma, porem a essência formalista permanece frigida. A constante dos movimentos nos engana com políticas voltadas a opinião, sinal de alerta, a garrafa de cerveja recostada a porta como aviso da entrada de estranhos, nos engana em conjunto através do subjetivo que se mescla a montagem: o plano primeira pessoa é a subjetividade aqui. Ao passearmos pela festa no apartamento através do binóculo da protagonista, somos levados a reconhecer seu alvo de imediato. São os objetos que atraem os personagens, afinal, ou não seria eles os verdadeiros personagens. Talvez o único protagonista aqui somos nos que assistimos e tentamos indagar algo além de um romance, por mais que essas superfícies nos ludibriem em uníssono, voz, em identitarismos, e eventualmente se vivêssemos numa cultura diferente, não seriamos atraídos tanto assim pela imagem-objeto. O dono da loja de noodles é também essa matéria imanentizada, imantada com suas próprias elipses e forças de atração, será único lugar de repouso para a assassina, a qual também é como uma automata sem passado, só está em busca de realizar seu trabalho. Numa relação de vassalagem com a mãe, é ela que retorna a memoria cambojana e tenta traçar vínculos com esses objetos que persegue, buscando entendimento onde não se pode mais haver. A reificação mercadológica, do plano propaganda evidente, a presentificação é tamanha que esses corpos não pertencem a um lugar além dessa depressão causada pela má gestão dos negócios, dum ponto altamente disputado economicamente, a nova Hong Kong, do contracampo como oposição sempre e nunca complemento, corpos que são, na verdade, extremamente semelhantes, precisam fazer contratos com o resquício dessa soma do entre plano. E soma digo como doença, mas próxima à subtração matemática do que a adição, pois ao lado da morte. Quando a oposição ocorre, por pura rebeldia, esses objetos se repelem numa atração máxima, um precisa destruir o outro para sobressair; é tudo tão artificial que não chamaria uma luta pela sobrevivência aqui. O socialismo é essa instancia de criações desenfreadas de moedas, de uma transição que não parece nunca ocorrer, estagnação reformulaica. O avanço da tecnologia caminha, marcas caem, e a substância da matéria se desprende dela, formando essa imagem completamente gélida e contraditoriamente modular. não querendo inutilizar o cinema, mas ele é se e somente se um logos, um silogismo do que esta entre a contradição, entre a posição, seja ela colateral, diametralmente oposto ou até transversal, inclusive como um cabo de guerra.

Referencias

Mal de arquivo: uma impressão freudiana. Jacques Derrida.

Entre cinema e fotografia. André Parente

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