August in the water, 1995.
Gakuryu Ishii
“A escrita (graphe), Fedro, tem essa estranha qualidade, e é muito semelhante à pintura (dzoographia); pois ela coloca as suas criações como seres vivos (dzonta), mas se alguém lhes perguntasse algo, continuariam a preservar seu silêncio solene. Assim são as palavras em um texto. Podemos pensar que elas falam como se tivessem inteligência (phronountas), mas se lhes perguntamos algo desejando saber mais sobre seus dizeres, elas sempre indicam só uma única coisa, o mesmo. E toda palavra quando é escrita uma vez, está fadada a dizer o mesmo entre aqueles que compreendem e aqueles que não têm o mínimo interesse, e não sabe a quem se deve falar e a quem não se deve. Quando mal tratadas ou injustamente reveladas, sempre precisam de seu pai para ajudá-las, não têm poder de protegerem a si mesmas.” - Platão
"[...] toda observação do mundo da natureza envolve a utilização de categorias mentais com que nós, os observadores, classificamos e ordenamos a massa de fenômenos ao nosso redor, a qual de outra forma permaneceria incompreensível; e é sabido que, uma vez aprendidas essas categorias, passa a ser bastante difícil ver o mundo de outra maneira. O sistema de classificação dominante toma posse de nós, moldando nossa percepção e, desse modo, nosso comportamento. " - Thomas
O fim do cinema não se dará pela imagem em movimento em si, mas pela agudeza do áudio. O clipe musical que engole o que poderia ser mise en scene. A imagem perde o peso, aqui por enquanto, ela não se esvai por completo, perde o peso não de significado, mas auxilia a transmigração de almas, da elevação do significante sobre o significado. Há assim um desprendimento, mas não total entre a dualidade, esse movimento dilata o devir, e o ciclo do oraculo que poderá agora abranger uma gama maior de energias. A esotérica é esse movimento holístico e generalizante que classifica e põem as coisas em seu lugar, mesmo que esse espaço não aceite ou caiba o objeto. O espaço é de suma importância aqui, enquanto o tempo se esvai como éter, evapora, fica a encargo do espaço, o trabalho. A mais-valia que se esvai por esse trabalho enquadrado e que alguns incitam como documentação, a classificação que se orgulha ainda em manter tangente, tanto no sentido tátil quanto no sentido abstrato dessa energia que simula o progresso, ao passar resvalando nas margens desse ambiente, como se estivéssemos numa jornada; afinal é uma narrativa fílmica ainda, possui seu início e seu fim. Cabe a nos terceirizarmos essa empreitada e construir o sentido, o real início e o real fim. Se começa como um romance juvenil, termina como uma ficção cientifica, mas que nunca se assume como tal, como nenhum gênero, pois a órbita dessa imagem alarga de tal maneira que somos lançados nesse espaço e ficamos a deriva, nas sensações. Afinal o capitalismo caiu feito luva nessa cultura, que sempre escravizou a mulher, sendo assim quase não necessário a busca por colônias, mas pela expansão de seu mercado, numa fase mais avançada de colonialismo, onde a mercadoria já esta consolidada e precisa ser escoada, para afastar da crise. A feminilidade assim incorpora mais matizes, se estamos em espaços mais abrangentes, e se abstrai ainda mais do progresso, serve de insumo. Extremamente consciente, e de sempre questionar o fim desse ponto culminante em confluência de outras energias, fez com que ela se fortalece-se, como todo movimento que se preze contrario, esta mais para a conservação do que já é, do que uma revolução a ser traçada, ainda mais quando temos espaços cada vez menos cronológicos. Será de extrema facilidade nesse novo espaço estritamente governado pelo tempo, a proliferação de doenças psíquicas e anímicas, e o ressurgimento do ocultismo como salvação dessa pandemia de mal-estar. O cinema em si é essa medicina oculta, que traz da intuição e do meio-ambiente, as imagens que proliferam destrutivamente a cultura como um todo. Como obra fechada e acabada o filme encapsula e dá esse ar de máquina do tempo em que a arte fascina e nos alucina, de nunca ser capaz de morrer e continuar ressoando, pois fez parte de uma ecologia única, entra na memória como uma confluência ainda maior do que se mostra. A dificuldade de se enfrentar essa cronologia é um trabalho tão imperioso quanto o do espaço em sustentar desenfreadas vontades de grupos se fechando em pequenos feudos, todos dentro desse majoritário devir-intuição. Trabalhos que não são reconhecidos socialmente, e somente o suicídio, a sobreposição de imagens, dos truques mais baixos que dará conta desse usina atômica de desejos que não respeita mais a organização de cena.
Referencias
A Crítica à Escrita e a Vivência Filosófica. Marcus Reis
A classificação decimal de Dewey e a cultura de paz. Iuri Rizzi.
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