When Tomorrow Comes, 1939.
John M. Stahl.
"No desdobramento desses conceitos e princípios [o da heterogeneidade da matéria e o da continuidade entre todos os seres da natureza], delineia-se uma cosmologia que recusa a criação, o desígnio e a teleologia, na qual o conceito de ordem natural expressa o arranjo momentâneo (em relação à eternidade da matéria) das partículas materiais mantido pelo processo de ação e reação desencadeado pela energia imanente a essas partícula." - Souza.
"ela não é cultura, mas natureza, não é história mas geografia, não é tempo mas espaço, não é vigília mas torpor, não é sujeito mas objeto, não é destino mas instrumento, não é forma porém matéria, não é consciência mas automatismo, etc." - Corbisier
A vontade pela arte que é corroborada pela união da matéria, antes precisa-se sobreviver, entender as regras sociais do jogo, para assim se inserir no meio, a forma estética. A visão do artista se torna coordenadamente antifilosófica. Por não se importar com as categorias em si, mas com o andar das carruagens, ao dizer: não há nada novo sob o sol. Mas o mesmo, não é realmente um reflexo direto desse sol que nunca se põem, logo também nunca nasce, mas permanece num continuum poético, de se acreditar que a Terra também será sempre a mesma, logo a cultura como um idem acadêmico desse plano telúrico. Não se produz novos imaginários ao optar pelo ciclo que se repete, numa ilusão também de se estar produzindo diferença, mas senão estética, e estética aqui em seu sentido mais técnico, logo superficial. A verdade precisa ser construída, tem a mentira como seu oposto perfeito, não é sinônimo de fato, que esta para ciência, que também é construída por meios sociais, como, por exemplo, assassinatos de negros, promovido pelo Estado, é uma construção, mas diferente da verdade perpassa por toda uma conjuntura de forças que vai além do indivíduo. A subjetividade é destituída nesse exemplo, por estar embutida na superestrutura, possui um sentido histórico que não é sempre linear, porem que nasce na idade media, os antigos que conhecemos, são os antigos ditados pela idade media. Agora temos uma noção do que é verdade também, ao encaramos nossos seres sociais através dessa perspectiva do patriarcado consolidado pelo misto de razão e fé. Consequentemente, e agora adentro no filme, o extracampo vem como esse apocalipse do amanhã incerto e pelas especulações das narrativas factuais se faz ainda mais monstruoso. O artista pianista que se apaixona pela garçonete que especula ser cantora, mas que agarrada ao sindicato não consegue realizar seu sonho, mundo dispares que entram em conflito, mesmo no amor, contradizendo-o. Precisaríamos nesse movimento diferenciar a contradição do paradoxo, dar ao amor novamente seu poder de união entre opostos construídos factualmente pela conjuntura. O que restará desse encontro, senão uma cena em bloco, cortada aridamente em meio a toda a amargura, sintetizando a nossa história no seculo passado, inaugurando os movimentos dos tronos sobre o lago congelado. Thanateros, do gozo como pulsão de morte, do espírito sendo apartado da matéria, e desa especulação traçada por esse filme de Stahl como exemplo do que veio a se tornar nossas relações, uma exaltação saturnina. A fabricação de totens que se inicia e começa a produzir destinos, nos marca e demonstra que não vivemos nesse infinito nietzschiano e positivista, mas, na verdade, em seu sentido niilista e cético, da revolução como processos reformísticos, não como ruptura e descontinuidade. O que fará com que esse corpo preso ao centro da imagem, do quadro, sendo assombrado pelo que esta fora, conseguira se livrar da ideia de empirismo que o educa e caduca?
Referencias
A inter-relação de sensações para a produção do conhecimento; em torno da carta sobre os cegos, de Denis Diderot. - Fábio da Silva.
A ideia de revolução no Brasil colonial. - Celso Frederico.
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