Pacifiction, 2022.
Albert Serra.
"Digo que nada 'necessariamente' resultou do Nada de liberdade sem limites. Isto é, nada de conformidade com a lógica dedutiva. Mas tal não é a lógica da liberdade ou possibilidade. A lógica da liberdade, ou potencialidade, é aquela que anulará a si mesma, pois se ela não se auto-anular, permanecerá completamente inútil, uma potencialidade do nada fazer; e uma potencialidade completamente inútil é anulada pela sua própria inutilidade." - Peirce.
"Através das estruturas que lhes são próprias, toda língua está necessariamente em relação com o que não está, o que não está mais, o ainda não está, e o nunca estará da percepção imediata: nela se inscreve assim a eficácia omni-histórica da ideologia como tendência incontornável a representar as origens e os fins últimos o alhures, o além, o invisível." - Pêcheux
A suspensão operada pelos hologramas de um plano que nunca é bem definido. Não possui uma estratégia delineada, e não é organizado, organicamente falando, mas automatizado, pelo ínterim da física e da natureza, um meio do meio que como espiral condescendente, perfura as camadas desse plano e nos põem em outros ambientes. Essa suspensão que eleva os personagens, e também nos transporta em caminhos sensoriais coloca em cheque o problema econômico de se construir bolhas e concorrências entre essas culturas que agora pela globalização são unidas forçadamente e levadas em conjunto a atravessar essas camadas. O choque que essa força econômica opera, retira dos corpos sua energia e as embute nesse espaço de contenda onde nada é fiscalizado, não há uma polícia, mas uma conduta ética sendo traçada espectralmente por um quinto elemento, pela criatividade comandada pela própria autocosnciencia. Se não somos convidados a assistir e a permanecer distante num processo frio onde o jogo não revela suas regras de forma clara e logica, mas num processo intuitivo e natural, destituindo essa organização que poderia nos aproximar desses corpos e estabelecer reais relações. Fazer politica afinal, e retirar da confusão em que ela se meteu principalmente na década de 80, onde a guerra fria atingiu seu ápice com a abertura do mundo ao neoliberalismo. Não se sabe assim que é quem, estão ali representando algum papel, mas as interações são de maneira tao superficial e sem uma real intencionalidade, e intensidade, que não pode-se produzir verdades, mas narrativas que condizem com a superfície rigorosa. Rugosa até o momento da penetração desses corpos, onde unidos numa dupla hélice viajam para um outro espaço-mesmo-tempo. Ensaiam uma peça musical ditada por colonizadores num espaço completamente fantasmagorizado onde se rodopia em favor do peso morto, necromanicamente ultrapassada. A intuição que invade essa síntese entre natureza e a física que retorna o melodrama para seu estatuto, portanto lugar de fala e da forja de arquétipos, construção social, onde o costume é intransponível, como Hume nos legou. Assim quando se forma essa divisão natural dos costumes da terra em transe, e de todo um cinema novo que pode surgir com um simples movimento de suspensão, de não dar ao espectador nenhuma forma didática e exauri-lo, exorcizando-o poieticamente e nunca cientificamente, da magia do caos que se constrói inocentemente ao redor da cultura envelopando-a e retirando seu senso critico. A política é guerra entre superfícies que desconhecem seus fundamentos, mesmo quando se porpoem uma filologia, uma representação que se da somente pela economia, e economia entenda-se aqui como administração do sofrimento, da pregação dessa corrente que ainda conecta essa imagem às suas bases. Para se chegar de um canto ao outro do plano de forma mais rápida, é traçando uma diagonal, formando assim dois triângulos imageticamente, mas que se esse plano é maleável, dobrável, a distância entre os cantos opostos se diminuiria, mas causando um outro problema, um grande obstaculo aos outros dois cantos do plano, e destituindo a força dos triângulos imaginários que poderiam ainda classificar os gêneros que estão em jogo, e nos dá uma reaproximação da racionalidade automata com a intuição fendida pelo duplo da natureza.
Referencias
A Física da Physis. Ivo Ibri.
As formas discursivas e a ameaça comunista. Bethania Mariani.
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