Mayakkam enna, 2011.

Selvaraghavan.

"Foi essa uma importante contribuição de Lacan, a de ter feito ler/reler Freud, a de ter dado ao freudismo suas cartas de nobreza, um segundo alento, isso num momento, nos anos 50, em que "se tornara mais comum considerar Freud um respeitável ancião, mas que já deixara de ser lido." (...) Lacan oferece então à psicanalise a possibilidade de desafiar a filosofia, aproximando-se dela, desmedicalizando a abordagem do inconsciente e preconizando, pelo contrario, a abordagem do inconsciente como discurso. È um novo desafio lançado à filosofia, proveniente de uma psicanalise renovada, revitalizada, e que pretende ser a sucessora do discurso filosófico." -  Dosse.

"A transformação é radical, primeiramente, porque todas as teorias do ‘Fotográfico’ dos anos 1980 repousavam sobre um princípio fundamental, primordial já que genético (ligado à gênese da imagem, a seu processo mesmo de constituição, a seu dispositivo – e foi por isso que ele foi ‘ontologizado’): o princípio do traço, da impressão, do ‘isto foi’, do índex (índice). A partir do momento em que este princípio genético da ligação orgânica com o real se torna o fundamento da pretendida identidade do médium, uma especificidade ‘de natureza’, fica claro que o digital ameaça diretamente essa ligação entre a imagem e seu ‘referente real’. Ele vem cortar a ligação ‘visceral’ da imagem com o mundo. A imagem digital não é mais, como a imagem fotoquímica (analógica) uma ‘emanação’ do mundo, ela não é mais ‘gerada’ por ele, ela não se beneficia da ‘transferência de realidade’ (para retomarmos a expressão de André Bazin) da coisa até a representação. E assim, tudo muda, tudo oscila, e tem que ser reconsiderado" - Dubois

Quão sublime pode ser a imagem? Não somente o enquadramento que tem o poder de recortar a realidade, mas tudo o que constitui, da iluminação, e principalmente a própria subjetividade do fotografo. Quando a câmera que o filma em ato, e num movimento em computação gráfica adentra a câmera do do fotografo e toma seu ponto de vista causando uma quebra de dimensões que ainda irão se mostrar como ferramenta para demostrar o simbolismo escondido nesses aspectos superficiais. E superficiais no sentido geral da coisa em si, dos aspetos que reducionam o signo generalizando-o num processo microscópico, como esse da câmera adentrando em outra: filosofia. O pois modernismo que nos dará essa tramoia sobre o recalque desse processo subjetivo cético e negativo, onde se lê Heráclito por lentes espiritualistas, do plano, como disse, fotográfico, extremamente artificial, montado-recauchutado na pôs produção. Em algum momento nessa trajetória das matizes negadoras, será necessária uma afirmação para que algo desponte e seja reconhecido, ou seriamos eternamente ambíguos e sem personalidade. pois bem o machismo aqui é essa força que faz a mutação entrar num processo positivo para se tornar algo palpável, as fotografias já tinham forma, mas não eram reconhecidas pelo senso comum ao qual o artista queria adentrar, do grande circuito comercial, numa crítica ao próprio ato de se fazer cinema, numa referência ao clássico mãe índia, onde a conservação do machismo se fazia ulterior a sobrevivência, do artista alcançando seus sonhos. e aqui retomo a ideia de recalque, principalmente em Deleuze onde não existe, mas toda a sorte de prefixo anti, sem a busca pela essência das coisas, mas afirmação constante da substancia que opera essa camada dos novos astros orientalistas trazidos por Nietzsche. A ciência deixa de ter importância para novamente a arte ser dona dos sentidos traçados pelo caos e pulsões das mutações, o teatro deleuziano, onde a burguesia ainda se faz importante consolidando sua democracia, e o centro esquerdismo mais afeito aos negócios dessa mescla entre os dois polos do planeta, tendo o meridiano inglês como esperanto. O meme do meme assim se faz, o cinema comercial dentro do cinema comercial, como a metafísica que se faz cada vez menor cabendo dentro de outro sistema metafisico, da história contada em pedaços e desordenadamente pelo seculo XX, agora recomeça a ter novo sentido linear, o da preocupação com o futuro, e os inumanos pais, o falso artista, ou o que cuida sem a voz. Existe sim, essa preocupação com o outro, mas ao mesmo tempo uma busca por outra sociedade, e da metafísica decantando e se rebaixando, procurando estar cada vez mais próxima à terra; a cena onde um dos amigos tenta consolar a “mãe índia” dentro do carro, enquanto difama o gênio protofascista ao ser pego de surpresa pela negação ao feminismo proposto na continuidade da amizade e da máfia. É um épico bíblico, fundamento de uma sociedade, mas agora no digital-virtual, e não mais no materialismo da película. Para isso o diretor retorna dessa forma a superfície e a inocência de seus personagens, e não há espaço melhor para fazer isso do que o capitalismo tardio, o 3d que tenta simular outra galáxia, mas falha em toda sua tosquice, para que a declaração de amor seja feita parapsicologicamente na televisão, no grande circuito e reforçando as potências épicas contidas no movimento microscópico, da arte se conectando novamente a techné, as ferramentas são extensões esotéricas do humano, como novos membros. Aos psicanalistas pergunto se não há nada antes da linguagem? ou se não vem nada antes do signo? e o que e símbolo? Sendo assim prezamos mais pelo que é exotérico e pode ser levado aos homens, do que o teorético, apenas reconhecido domesticamente entre pequenos pseudópodos, mas que é proposto cinematicamente pelo diretor e a quem assiste formando uma outra dimensão ainda que domesticada in vitro.

Referencias

Maquinas, corpos sem órgãos e pulsões: um dialogo entre o Anti-édipo de Deleuze e Guattari e a metapsicologia freudiana.

Fotografia: teoria, interrompida? Benjamin Picado.

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