Manichitrathazhu, 1993.
Fazil.
"Contrariamente ao possível, estático e já constituído, o virtual é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer, e que chama um processo de resolução: a atualização." - Levy.
"Para a consciência pós-moderna, a modernidade tornou-se antiquada. Para a consciência neomoderna, ela nunca se realizou completamente. Para a primeira, ela está abandonando o palco e, para a segunda, ela continua em cena. A consciência temporal do pós-moderno está mergulhada no sonho; a consciência neomoderna rejeita o sonho. Ela despreza o historicismo e opta pela história. Das duas perspectivas, sustento que somente a neomoderna tem o poder de compreender o presente e de transformá-lo. Pois dispõe, para compreendê-lo, das categorias de análise desenvolvidas pela modernidade e, para transformá-lo, das energias explosivas depositadas no legado da Ilustração." - Rouanet.
A suspensão que continua das análises diretas do filme anterior de Albert Serra, aqui no de Fazil se torna o personagem que nunca assume o protagonismo, mas que se divide em partes geminianas. A multiplicidade entre os atores e personagens nos põem a repensar sobre as questões de gênero, disso que abarca um grupo e nos configura, retirando a individualidade e nos pondo em desumanidade perante ao classificador. Essa relação estabelecida entre os observadores e os objetos que produz essa suspensão, o terceiro termo, o próprio sentido que será dado a obra, e que é dificilmente alcançado. O esquizofrênico recalcado de Sócrates em sua vida dupla física e agarrada ao signo, desperta essa máxima sofistica e consolida pelos lógicos no século do romance: filosofia se resume a linguagem, consequentemente as categorias a priori são desmanteladas e levadas a um outro principio ad infinituum e motor que carregará esses gêneros de uma forma inconsequente. A análise feita por esses observadores em sua maioria subjetivista e sem genealogia(que Hegel me tenha bem), arranha somente a superfície da imagem, reafirmando-a. A lua em libra ascendente, coloca em resolução seus nakshatras, essas faces que habitam o plano e persistem se manter nele, como uma juíza consegue direcionar essas vontades e reconectar os seres. As sombras formadas por esse astro sem luz vai escondendo e dando ao extracampo seu lugar de protagonismo, se os personagens somem e não conseguimos estabelecer um vínculo entre eles é porque não possuem o zeitgeiste, e precisam ser conectadas lunarmente num movimento antitomêmico. O estrangeiro estará mais apto a reconhecer os problemas e obstáculos a serem enfrentados aqui, retirando o positivo do nacionalismo, que agarrado as memórias e tradições não consegue perceber o avanço do mal. Talvez por isso o capitalismo tenha se aflorado tão bem por essas terras? Lugar onde a espiritualidade emana por cada poro e a substância se faz imanente e ulterior em si mesma, o Tao heraclitiano afinal, e a primordial afirmação do espírito como fogo. A iluminação é de fato um símbolo esotérico, mas que conforme vai afirmando se mostra ordinária, em seu duplo sentido de ser comum, mas também padronizada. E aqui se percebe o duplo sentido como uma contradição não paradoxal, ou seja, de primeiramente uma afirmação que se nega segundamente dando um significado matriarcal a dialética. Mas é exatamente isso que o diretor almeja e que não é enxergado ao mero observar cientifico da obra, de demonstrar as impossibilidades do feminismo como conduta ética, da lua sendo engolida pelas nossas partes lupinas arraigadas na alma. É necessário que o cientista, que conhece a terra ensaie os seus conhecimentos sobre uma peça de magia negra. Reacendendo essa chama que normatiza com o passar do tempo, amplificando as energias contidas nela. A cultura pode agora se expandir e as memórias liberadas para serem comercializadas pela arte. É um filme regido principalmente por mercúrio que esconde a religião por detrás de seu hermafroditismo jornalístico, da pôs verdade sendo fundamentada prematuramente para a chegada era da informática.
Referencias
O conceito de virtualização de Pierry Levy e sua aplicação em Hipermídia. - Francisco Pimenta.
As razoes do iluminismo. - Sergio Rouanet.
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